Blog da Perestroika
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segunda-feira, 14 de julho de 2008

A primeira vez em Cannes.

Já falei pra vocês do Márcio Fritzen. Amigo meu, do Rafa, Tiago e Felipe.

Eu e o Bohrer trabalhamos juntos com ele na DCS algum tempo. Passei uma virada de ano em Floripa com ele e mais uma galera. Muita história pra contar.

Coração bom, irmão mesmo, que está fazendo bonito na DM9.
Dois Leões em Cannes 2007, Young 2008 por SP.

E é sobre o festival deste ano, conforme já havíamos prometido aqui mesmo, que ele escreve. Interessante e divertido. Aproveite.

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A PRIMEIRA VEZ EM CANNES.
De Márcio Fritzen exclusivo para o BlogPerestroika.



Eu prometi um texto para a Perestroika falando de Cannes 2008. Mais um pouco fica para Cannes 2009.

Mas enfim, aqui está.

Na verdade, o que escrevi tem bem menos qualidade e conteúdo do que alguns textos que já vi nesse blog.

Peço desculpa também se está tudo fora de ordem.
Mas acho legal que é um texto para todos.

Os cedefes ganham considerações, comentários e percepções sobre o festival.

A turma do fundão, dicas de baladas, festas e outras curtições.

Eu ganho lembrando dos melhores 9 dias da minha vida.



BALADAS OU PALAIS? OS DOIS.

Um dia antes do festival tem balada.

No primeiro dia do festival tem balada.

No dia seguinte tem balada.

No último dia do festival tem balada e tem também aquela dor de cabeça que te faz prometer não beber mais.


É muito louco porque todo dia tem a melhor balada da sua vida.

E todo dia tem também coisas imperdíveis no Palais, onde rola o festival.


Todo dia você pode ver um anúncio que nunca imaginou fazer.

Todo dia você pode ver um filme que te dá inveja.


Por tudo isso, deixe para dormir no avião.



FODÕES.

Uma das coisas mais legais de Cannes é o contato que você tem com as feras da propaganda mundial.

Você pode estar sentando ao lado do Nick Law e do Bob Greenberg, os caras que criaram o Nike Plus.


Os caras que você admira estão lá. Os nomes que você leu nas fichas existem.

Com isso não estou dizendo que você deve encher o saco dos caras. Nem puxar.


Mas pode rolar um papo.


Quem sabe entender como determinada idéia foi realizada.

Ou até mesmo mostrar a sua pasta se for oportuno. Eu disse, se for oportuno.



BIRITA NA FAIXA.

Existe um lounge chamado JCDecaux que fica na Croisette. Lá pelo posto 14.

Nem todo mundo conhece esse espaço. A JCDecaux é uma puta empresa de mídia exterior na europa.

O trabalho dos caras é bem legal.


Mas vamos ao que interessa: lá dentro é tudo liberado. Desde acepipes até champanhe.


Tem dias que lota o tal do JCDecaux e ninguém mais entra.


Aí, se você for cara de pau como eu pode entrar pela praia.

Tipo como se estivesse de passagem e quando viu, entrou e já está lá dentro.



PALESTRAS E WORKSHOPS.

Adorei a palestra do David Droga da Droga5. Se você não conhece o trabalho do Droga, acesse www.droga5.com.

Pelo site já dá pra sentir o quanto é incrível.


Outra palestra que não tinha necessariamente a ver com propaganda foi a do Tony Bennett.

Por não ser um cara de propaganda eu já achei a idéia legal.


O tema era a importância da música para as marcas. Foi bacana. O Tony é uma figura.

Parece um mafioso. Sem falar da napa. Que baita napa…


Também vi a palestra do Alexandre Gama sobre o case do Bradesco e a preocupação com a conservação do planeta.

Interessante e super em cima do que a gente tá vivendo.


Outro workshop que participei aconteceu onde eu estava hospedado, no hotel Atlas.

O porteiro, o Alain, me ensinou a abrir um champanhe com uma colher. E sem deixar a rolha cair no champanhe.

Uma mistura de “Se vira nos 30” com “Isso é incrível”.


Não aprendi porque já tinha bebido uma garrafa de champanhe antes.

Mas o Alain ainda está lá para ensinar quem quiser aprender.



COMPETIÇÃO DOS YOUNGS.

Achei foda a rotina dos youngs que competem. Eu gostaria de competir. Acho uma puta oportunidade.

Mas você aproveita bem menos o festival.


Ganharam uns argentinos da BBDO em filme. Sempre os argentinos em filme.

O briefing era o briefing do momento: Como curtir a vida sem ferrar o planeta?

O Brasil ganhou em internet. Sempre os brasileiros em internet.



HOLANDÊS QUE É MALANDRO.

Os youngs da Holanda é que são espertos. Os caras criaram uma festa que virou febre.

A bebida é bem cara e eles faturam alto.

Para você sacar a organização da delegação holandesa, eles têm até um buzão.





VIRAIS. NÓS AINDA VAMOS APRENDER A FAZER.

O Brasil não emplacou nenhum trabalho na categoria Viral Video. Um vídeo da Dm9 deu na trave. Bem legal:




Acho que muita gente ainda não entendeu o que é um viral e deixa a coisa muito comercial. Aqui tem alguns virais que ganharam Cannes esse ano:

http://www.simviral.com/2008/06/cannes-lions-2008-vencedores-de-viral-video/



CHORA NA CAMA QUE É LUGAR QUENTE.

Todo mundo apostou que o GP de Film seria "The Key" para Freixenet, criado pela JWT Espanha, de Barcelona.

Mas levou apenas prata.


Olha a peça:




Isso mostra como o festival às vezes é imprevisível. E cruel.

Quem dirigiu esse filme foi nada mais, nada menos do que Martin Scorsese.



GP POLÊMICO.

O Grand Prix da categoria Film no Cannes Lions 2008 foi para o filme Gorilla, da Fallon de Londres, criado pelo argentino Juan Cabral para os chocolates Cadbury.

(Um parentese no parágrafo: se você não conhece o Juan Cabral, vai atrás. Ele criou os filmes de Bravia e tem vários outros trabalhos geniais.)

Quando o Gorilla passou no Palais, ninguém aplaudiu loucamente. Nem vaiou.


Todo mundo gosta. Mas muita gente questiona se não poderia assinar qualquer cliente.



GP DE PRINT.

O GP de print desse ano foi a peça de Energizer. A criação é da DDB Africa do Sul.

Deu o maior barulho, porque parece que tinha uma campanha da TBWA Cingapura

com o mesmo conceito que foi short em 2005.

Aqui dá pra ver as duas peças:
http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=32675



GP DE ACTING.

Por favor, confira.



Esse garoto é incrível.

E os dentes do Bob Esponja?

Levou ouro em film.



GP DE...DEIXA PRA LÁ.





TITANIUM LIONS.

Essa categoria é fascinante. Só grandes idéias. Não tem fantasma.

É idéia do caralho e de verdade. E quem julga são as mentes mais brilhantes da propaganda mundial.


O trabalho de Halo 3 me deixa sem palavras. A produção…o conceito…


Vai na veia, mergulha nesse universo do real x virtual.

Você precisa ver. Vai atrás. Foi o GP.



PRICELESS.

Dar uma volta de Ferrari no circuito de Mônaco da F1. É o horário nobre da vida!

Mostre para o Rubinho como se faz.

São oitenta euros com você no comando e um mala do seu lado falando "Slow..slow..."



A CASA DO PIERRE CARDIN CAIU.

A festa mais alucinante em Cannes 2008 foi a do Terra.

Show do Morcheeba na faixa no lugar mais alucinante que já eu vi. A foto fala melhor do que eu sobre a casa-nave-disco-voador do Pierre.







A festa da Microsoft também foi incrível. A pista rodava. Sério...

Tá duvidando? Botei no youtube. Dêem uma olhada.

Detalhe: eu sou o louco gritando ao fundo.






O RETORNO.

Voltar não é fácil.

Ao mesmo tempo, quando você volta, Cannes te impulsiona.

Deixa você mais cascudo. Não deixa você ir na primeira idéia.

Faz você pensar mais.

Você volta com a vontade de fazer.


Ano que vem espero vê-los em Cannes.

Eu vou estar lá.

Um pouco menos nas baladas. Bem mais no Palais.

Mas ainda podemos tomar umas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Panichi contra a Matrix

Não era tema. Não era trabalho.
Era só vontade de vencer o desafio de escrever um texto todo em ordem alfabética.

Redigido pelo aluno Gustavo Panichi.

Agora, Bons Companheiros, Degustemos Este Filé Generoso. Hoje, Iremos Jantar Lentamente, Mas Não Oremos, Pois Quem Reza, Somente Transmite Uma Versão Xiita Zangada.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Inspirado, baseado, copiado

Texto de Alexandre Okada, Diretor de Criação Regional da Leo Burnett para América Latina


Ok, nada surge do vazio. A história da humanidade é a prova disto. Cada avanço, por mais novo e revolucionário que possa parecer num primeiro momento sempre é o produto de uma série de eventos, pessoas e pensamentos anteriores.

Da Vinci não fez os primeiros desenhos da bicicleta nem do pára-quedas. Existem desenhos similares anteriores. Muitos dos escritos de Aristóteles e Platão não são originais, são na verdade compilações de pensamentos da época. E até a interface do nosso querido Mac parece que foi baseado numa máquina da Xerox.

Também foi assim com o cubismo, o modernismo e a industrialização. Geralmente o novo surge de um movimento, da soma de uma série de coisas anteriores recriadas ou vistas de um ângulo diferente.

Na publicidade não é diferente. Nós somos craques em nos inspirar em idéias de outras áreas. Artes plásticas, videoclipes, curtas-metragens, instalações, cinema, música, textos que chegam por email, vídeos do youtube ou mesmo obras de museu de história natural.

Nada escapa do olhar atento de um publicitário. E é justamente aí que começa a discussão. Até onde pode? Vamos ver alguns casos clássicos.

Wazzup era originalmente um curta-metragem. Eles chamaram os autores e refilmaram com eles em formato de comercial. Sucesso absoluto de público, crítica e ética.





Sony “balls" tem uma semelhança incrível com um quadro do David Letterman filmado em 1996. Mas era uma imagem sem nenhum sentido ou propósito. E aí valeu a sensibilidade do criativo em perceber a beleza que esta imagem poderia ter.





O caso de Honda Cog já é um pouco diferente. É certo que a agência encontrou um link com o produto dando um sentido para as imagens do comercial, baseadas na vídeo-instalação de Peter Fischli e David Weiss “The Way Things Go”. O problema maior foi o fato da fonte de “inspiração” não ter sido citada.





Publicidade versus arte também foi o problema da campanha australiana de inseticidas que mostrava o ponto de vista dos insetos nos últimos momentos de vida. Ganhou Gran Prix em Cannes e um processo jurídico em Sidney.

A lista de comerciais baseados nos últimos videoclipes da MTV é gigantesca. O mesmo em relação ao cinema. Basta surgir um filme com uma estética diferente que antes mesmo de lançarem o DVD já tem um comercial no ar com a mesma linguagem. Isto sem colocar na discussão todas as paródias e “citações”.

Por outro lado, a arte também se alimenta da publicidade. A Pop-art é o exemplo mais óbvio. Diversos diretores de publicidade aplicaram suas estéticas comerciais em seus longas-metragens. E no youtube não faltam paródias e recriações de comerciais famosos. Até mesmo Banksy se utiliza da publicidade como uns dos seus pratos principais em seus grafites e instalações nas ruas de Londres.

Nós nos inspiramos neles, eles na gente. Justo. E qual a conclusão? Pode ou não pode? Eu acredito que todas as áreas que têm como matéria-prima a criatividade se inspiram na vida, com tudo que ela tem. O cinema se inspira na arte, a arte na música e a música na feira-livre de domingo. Ninguém é de ninguém.

Mas também acredito que devem haver limites. "Inspirado" e "baseado" são bem diferentes do copiado.

Acho que uma boa forma avaliar se uma peça publicitária é válida é perguntar qual é a idéia por trás dela. Se a resposta vier rápido e for alguma coisa original (e não a mesma idéia da “fonte”), tá valendo. Mas se você demorar uns segundos para responder, provavelmente a peça não tem idéia própria. É apenas formato (com uma justificativa qualquer). E, neste caso, melhor voltar ao trabalho.

Alexandre Okada
Diretor de Criação Regional da Leo Burnett para América Latina
Alexandre.Okada@mia.leoburnett.com

Enviado pelo nosso ex-aluno, Guto Monteiro, da DCS.