Blog da Perestroika
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Stash

É fácil entender por que a propaganda estrangeira usa tanto animação. Enquanto que, por aqui, esse é um privilégio de poucos.

Primeiro: grana. Infelizmente, animação demanda um alto investimento em softwares, pessoal, cursos, equipamentos. A hora/homem é caríssima. E como rola muito trabalho na madrugada, essa hora/homem vira hora-extra. E fica mais cara ainda.



Segundo: oferta de fornecedores. Pouca gente tem peito - e bolso - para bancar essa empreitada.



Terceiro: prazo. Definitivamente, a publicidade brasileira não trabalha com cronogramas saudáveis. Se o cliente costuma pedir para ontem o anúncio que ia ficar pronto só amanhã, imagine um filme de animação, que só vai ficar bala daqui 3 meses.



Quarto, e último: desconhecimento dos criadores. Vamos combinar: em geral, nós entendemos muito pouco de animação. Nós pegamos o DVD do Shrek, colocamos os Extras, vemos a Dreamworks modelando o burrinho, colocando textura no burrinho, colocando pêlos no burrinho, animando o burrinho. E não passamos daí. Um ou outro criador abre o Maya, se apavora com os menus e nunca mais vê pela frente. Pouca, pouquíssima gente vai além disso.



Quando a gente não domina a ferramenta, fica muito mais difícil de saber o que é caro, o que é barato, o que é rápido, o que é demorado. E o que é que o animador quis dizer com "isso não vai dar para trocar, porque o render das curvas do dope sheet não funcionam com o atalho qwer".



*****

Há um tempo, quando estava filmando uns comerciais para Neosoro, descobri com o pessoal da produtora uma revista digital chamada Stash. É meio que uma Archive da animação. Eles falaram que é muito legal e que vale o investimento. As edições e os valores podem ser vistos em www.stashmedia.tv.

Aproveito e já coloco alguns vídeos do Stash que eu encontrei no Youtube.











P.S.: Alguém sabe o que é "atalho qwer"?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Revista Time: 50 Top 10 Lists

Diferente da maioria das retrospectivas de final de ano, que são um saco, a revista Time recém publicou uma coletânea de 50 listas "Top 10" de 2007. Tem muita coisa legal, tanto do ponto da cultura inútil quanto da cultura útil. Na pior das hipóteses, serve para ficar sabendo o que tá rolando lá nas gringas.

Alguns deles:

Os 10 melhores slogans de camisetas de 2007.




Os 10 melhores virais de 2007 (virais no sentido que "viralizaram", não necessariamente produtos publicitários).




As 10 melhores capas de revista de 2007.




Os 10 melhores comerciais de 2007.




As 10 melhores tendências da moda de 2007.




As 10 melhores músicas de 2007.




As 10 melhores exposições de arte de 2007.




Os 10 melhores sites de 2007.




Os 10 melhores games de 2007.




E por aí vai. Vale a pena gastar meia hora e dar uma espiada geral. Os top 10 estão agrupados em categorias. A lista completa está em:

http://www.time.com/time/specials/2007/top10/0,30576,1686204,00.html.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Imperdível: 50 Years Of Grand Prix

Estão disponíveis no site todos os grand prix de todas as categorias dos 50 anos do Festival de Cannes. Não sei se isso é temporário. Na dúvida, dê uma espiada o quanto antes.

Simplesmente imperdível.
http://www.canneslions.com/login/login.cfm

É rapidinho pra registrar. Você recebe por email uma senha que dá acesso a todo o conteúdo.

Percebam que, em alguns anos, não houve grand prix. Além disso, algumas categorias são recentes e, dessa forma, a listagem é mais curta.

Tudo é muito do caralho. Mas não há como negar que os comerciais são as grandes estrelas. Até porque Cannes começou como uma competição de filmes de propaganda. Está no DNA do festival.

Para os preguiçosos, eu selecionei alguns dos meus preferidos e coloquei aqui no Blog. Mas não deixem de ver outros antigões fantásticos: o Passat, de 1988, o Helbon-Sha, de 1987, o John Hancock Financial, de 1986, e o Matsushita, de 1982. Tirando as limitações de produção da época, todos são moderníssimos.


Memory, 1996


Archaeology, 1985


Wassup, 2000


Kipper, 1981


Litany, 1999


Noitulove, 2006

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Eu poderia ter tido essa idéia

Olhem só essa da CP+B: para promover os 50 anos do sanduíche mais tradicional do Burger King, eles aramaram uma pegadinha onde os clientes que pedissem o Whopper ficavam sabendo que ele não constava mais no menu.



Essa é uma daquelas tradicionais idéias que dão muita raiva. Porque tem um raciocínio muito verdadeiro por trás dele. Reforça o vínculo que todas aquelas pessoas têm com o produto. E a força que esse produto representa para a marca. E olhem a simplicidade da idéia. É bem daqueles que a gente olha e pensa: "Putz, era muito óbvio. Eu poderia ter pensado nisso."

Bem, nessa idéia você não pensou.
Mas com certeza, existem bilhões de oportunidades para você ter uma idéia igualmente surpreendente.

E quem faz Perestroika sabe muito bem o que significa BILHÕES.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Director's Label

Todos vocês já ouviram falaram de um tal de Michel Gondry. E muitos de vocês talvez tenham ouvido falar do selo Director's Label, que reuniu os trabalhos do próprio Gondry, do Spike Jonze e do Cris Cunningham num DVD muito bacana. Uma excelente fonte de referência.

Pois o volume 2 já está à venda. Assim como o Silvio Santos, eu não vi, mas recomendo.

Nessa segunda edição, os diretores escolhidos foram Mark Romanek, Anton Corbijn e Stéphane Sednaoui. Além do multipremiado Jonathan Glazer, um verdadeiro ícone da propaganda moderna. Foi ele quem dirigiu o Sony Bravia das tintas (já postado nesse blog) e alguns dos comerciais mais memoráveis da última década.





sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Tropa de Elite x Cidade de Deus

Encarei uma sessão lotada. Tive que sentar na primeira fileira. Tudo para suprir a minha curiosidade. Afinal, duas pessoas tinham dito que Tropa de Elite era melhor que Cidade de Deus. Até o ranking do IMDB (imdb.com), que sempre faço questão de consultar, confirmava isso. E quando você considera Cidade de Deus um dos melhores filmes da história, a expectativa passa a ser das maiores.

Não vejo novelas, acho que a trama demora muito a se desenrolar. Por isso, não tive a oportunidade de acompanhar a grande atuação do Wagner Moura como o vilão Olavo, sucesso de público e crítica, responsável pelo recorde de audiência da Globo em 2007.



Mas não tenho medo de afirmar que, como Capitão Nascimento, ele está muito melhor. É daquelas personagens que valem o ingresso. Entretanto, não é suficiente para alçar Tropa de Elite ao patamar da obra-prima de Fernando Meirelles. É só fazer uma rápida análise da parte técnica (direção, fotografia, roteiro, edição, figurino, trilha) pra ver que Cidade de Deus é de outra turma. Pra falar bem a verdade, nem achei Tropa de Elite grande coisa - mas essa é só a minha opinião.



Partindo desse pressuposto, a pergunta que me fiz foi: como o filme conseguiu um buzz tão positivo?

Alguns dizem que foi casualidade, outros que foi planejado. Mas o vazamento, que desencadeou mais de mais de 3 milhões de cópias piratas, agiu como um legítimo viral. E aí, nascia a melhor propaganda que um longa metragem pode ter: o boca-a-boca. Ou você acha que alguém que se presta a baixar o filme e assisti-lo antes da estréia vai ficar quietinho depois? Claro que não: ele vai contar para todo mundo que já viu. E que gostou.



Explico.

Sempre defendi a tese que as pessoas normalmente elogiam aquilo que conhecem com antecedência. Quem viaja a um país exótico, costuma falar bem. Quem é convidado para a inauguração de uma nova balada, geralmente paga-pau. E até numa exibição de filmes publicitários, quando alguém já viu o comercial que está passando no telão, fala "Ah, esse é muito bom!". Repare.

Isso faz parte da essência humana. Se você tem acesso a algo restrito, é natural que valorize. Voltando ao exemplo da balada: se você foi convidado para a inauguração do lugar, e diz "fui e o pico é muito a fudê", você é um privilegiado. Agora, se você responder "tava uma merda", passa por trouxa.

Acho que está aí o fenômeno Tropa de Elite. Um grande case de comunicação. Que até pode ter sido sem-querer-querendo. Mas eu, desconfiado do jeito que sou, acho que os movimentos foram friamente calculados.

*****

E você, concorda? Também acha que foi tudo planejado? Gostou do filme? Quem é melhor? Tropa de Elite? Cidade de Deus? Ou será que foi Paraíso Tropical? Deixe sua opinião nos comentários.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Tá ficando tiozinho.



Hoje é aniversário desse querido professor de vocês.
Ele é sempre bem exigente, mas se vocês mandarem recados queridos, talvez as notas dos trabalhos melhorem.

Feliz aniversário Tiago.
Rafa, Felipe e Márcio

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Alguma coisa estranha



Semana passado fui ao Rio de Janeiro para um trabalho.
Notei que alguma coisa estava diferente quando entrei em um táxi e o assunto era um filme, quando entrei em uma padaria e o assunto era cinema, quando passei por funcionários da prefeitura (esses que fazem obras nas ruas) e o assunto continuava sendo um filme.

Ainda não vi, mas a quantidade de cópias piratas que circulam no Rio é impressionante. Número tão grande que já é campeão de vendas em DVD’s piratas. O que obrigou a adiantar a estréia do filme para esse último final de semana. Por aqui, a estréia é dia 12 de outubro.

O filme conta a história de Nascimento, capitão da Tropa de Elite do Rio de Janeiro que tem o trabalho de comandar o grupo em missões no morro.
Ele está com a mulher grávida e vive o conflito diário se vai voltar para casa no fim do dia. Essa é apenas uma parte da história.

Esse era o assunto no Rio.
E para o Rio de Janeiro não falar em praia, nem em futebol e o assunto ser um filme brasileiro é porque ele deve ser bom.
Tropa de Elite. Missão dada é missão cumprida.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Novo Sony Bravia

Lembram do post que colocamos há um tempo? Pois aí está.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Telhado de vidro.

Tá, vou falar. O tempo no aerporto agora me provocou a escrever este post sobre a minha impressão da tãaaaaaaaaaao falada loja na Apple na 5th avenue.

Sinceramente, não achei tudo isso que falam. Me decepcionei.

Tá, meio forte isso. Olhando de fora se tem uma impressão animal do lugar. Diferente de tudo. O conceito da transparência/acessibilidade é bacana, tem tudo a ver com a marca.

Quando se percebe que a loja é de vidro e que TODA loja tem vidro no projeto, fica ainda mais fantástica. A idéia estava aí picando pra qualquer um. E como ficou bacana: uma caixa transparente, assim, no meio da rua. A mesma matéria-prima de uma vitrine pensada de outro jeito. CLARO QUE CHAMA ATENÇÃO e você fica louco pra entrar.




Mas fica nisso a inovação da loja. Por dentro, ela não é nem um pouco diferente de NENHUMA outra loja da Apple, que são muito simples no seu projeto de arquitetura. E isso me frustrou pela embalagem que vi de fora. Achei que aquela fosse "a" loja conceito das lojas-conceito da Apple.





Vou tentar explicar melhor pra não apanhar de nenhum macmaníaco.

A primeira vez que entrei numa loja da Apple achei, sim, muito legal. Todos os produtos expostos pra pessoa chegar lá e mexer sem ninguém encher o saco. Se quiser ver os emails pode, se quiser testar os softwares, pode, tem o Genius Bar, um lugar onde nerds especialistas em MAC ficam à disposição pra tirar dúvidas. Inovador pra caramba. Ainda mais há 4, 5 anos. Músico fazendo demonstração do software de edição musical, fotógrafo mostrando tratamento de foto, fulano de cinema editando material ao vivo no Final Cut. Saí de boca aberta da loja, em Londres. Mesmo.

Pois cheguei agora em NY e saí correndo pra lá (cheguei ao meio-dia, só podia entrar no quarto às 15h). "Putz, que show", quando cheguei na esquina e avistei. O que eles aprontaram agora, eu pensei?! Tinha até fila pra entrar. Só que cheguei na loja e nenhuma inovação em relação às demais. Pelo contrário. A loja do Soho é maior e mais legal por dentro. O auditório é mais bacana. E não tem fila pra entrar! Enfim. Acho que tinha criado uma expectativa enorme e por isso me frustrei.

Mas o iTouch compensa. E como. Tanto que pra testar o Safari me prestei a escrever este post catando milho no tecladinho da tela. Sim. O iPod Touch tem internet. E o americano agora pode comprar música online a direto desse negocinho. Não me resta dúvida: a loja inovadora da Apple é essa.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Boca no chão.

Ontem fiquei babando durante quase duas horas vendo Woody Allen tocar. Das coisas mais incríveis que vi na vida. Não sei se embalado pela admiração que já tinha pela figura, ou pelo show de jazz fantástico mesmo. Mas tudo faz mais sentido depois disso. E fica da experiência uma coisa óbvia: você só vai fazer alguma coisa interessante na vida, se tiver alguma coisa interessante dentro de você.

O cara não é só um puta diretor. Longe disso.




sábado, 29 de setembro de 2007

Philippe "Star"

Tenho que tirar o chapéu pra esse Philippe Starck. Já tinha ouvido falar, tinha visto algumas coisas, mas agora que sou cobaia de uma experiência do cara, tenho que reconhecer: ele tem MUITO a manha.

Ao menos o Hudson Hotel em Nova York é animal. Foge radicalmente dos padrões americanos de Holiday Inn, Shareton, Marriott e outros do gênero e é um sucesso, de crítica e público. Está no guia de NY da Wallpaper e, ao mesmo tempo, vive com o quartos e bar lotados.

O quarto é legal. Poderia ser maiorzinho e ter mais coisas, e não seria dizer que é luxo, afinal até o Dunas Praia Hotel em Torres tem frigobar no quarto e vidro, ao invés de cortina, no box do banheiro. Mas, ACHO, a proposta é essa mesmo. Reduzir ao máximo os custos em volume e oferecer um hotel botique low cost distante uma quadra do Central Park.

O Hudson foi o primeiro hotel que reservei quando ainda achava a diária salgada (319 dólares + taxas). Mas depois de procurar exaustivamente (tentei de verdade), não consegui achar outro hotel BEM LOCALIZADO, e com um astral mínimo, por menos. Resultado: fui obrigado a ficar aqui. Ainda bem.

Buenas, seguindo: acho que a proposta foi construir um hotel acessível e que, para compensar a falta de regalias no quarto, desse um show na área comum e estimulasse os hóspedes a ficar mais tempo fora do que dentro da sua habitação. A máquina de gelo no andar, por exemplo, fica num barzinho. Ali os hóspedes já podem começar a conviver caso assim queiram.

Mas é no lobby que está o espetáculo. A pessoa entra no hotel e dá numa escada rolante que, ao subir, já entende que está num lugar diferente. E é verdade. O cara chega na recepção e tem a sensação de que o mundo deveria ter mais disso. Faz bem para os olhos. E como.





Encantado com o que já viu, o cara acaba conhecendo as 4 áreas projetadas pra ele ficar jogado e já fazer do hotel um programa animal em NY. A "biblioteca" é impressionante (é um bar/cafeteria/lounge/seilá). Decorada com livros (claro), tem jogo de xadrex, livros, computador, sofás pra vc passar a tarde (e noite) toda ali bebendo alguma coisa e curtindo o que quiser. Tem uma mesa de sinuca de feltro roxo, linda, e móveis clássicos com contrapontos incríveis, sendo o mais animal, fotos grandes em P&B de vacas de chapéu.








O jardim é impressioante também. No meio de Manhattan e seus edifícios gigantes, existe um lugar cheio de verde, um oásis mesmo, pra ficar jogado, com sofás, mesinhas, wireless, tapetes, vasos e regadores gigantes, etc, etc, etc. As atendentes usam um vestidinho hipersensual com biquini por baixo num clima totalmente informal. De noite fica beeeeeem cheio e os grupos ficam cada um no seu canto. A iluminação do lugar? Só com velas.





O bar bomba na noite. Todo moderno, chão iluminado com luz amarela meio fluorecente (como a que se vê da fachada), é sensação na cidade. Tanto que entre 5a e domingo só hóspede pode acessá-lo, do contrário, não haveria lugar para todos. Não me deixaram tirar fotos, mas no site do hotel dá pra ver: hudsonhotel.com. Vale a pena.

E tem o restaurante. Que é o mais palhinha de todos por causa da comparação, mas é bala também. Oferece lugar pra sentar no jardim bacana que descrevi há pouco e a cozinha fica bem no meio do salão. No site tem fotos melhores que as minhas, portanto, é só acessar.

Pois tenho certeza que o Philippe valeu cada centavo investido. Se pagou fácil. Os proprietários sabem que tem um produto realmente diferenciado. É mais do que vaidade. Vai muito mais longe do que dizer que tem um hotel charmoso. É negócio. Gera venda de camisetas, CD do hotel, pantufa e outras milhares de coisas.

Mais uma vez chego a conclusão que não havaria campanha que formasse mais conceito. Um hotel normal com uma campanha genial, anúncios dignos de Archive e tal (claro que dá, e se deve, ter os dois) levam o cara até o hotel. Mas o que vai fazer ele voltar é o produto, que quando é resultado de uma grande idéia, torna-se imbatível, traz lucro para todos. Até pra quem paga que fica louco pra voltar.

(O site do cara: philippe-starck.com)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Por que tudo é tão feio?

Você já parou pra pensar que o Feio X Bonito não tem relação com o Barato X Caro? Não existe proporção, média ou lógica que associe uma coisa a outra. Mesmo. Nada que diga: não tem dinheiro, então vai ficar feio.

Vamos, seguindo essa lógica, refletir um pouco: por que tudo ao nosso redor em Porto Alegre é tão sem graça, tão comum, tão óbvio?

Corta.

Era uma vez, uma fábrica de sapato que mandou dois de seus vendedores para um país africano, para estudarem as oportunidades de venda naquele mercado local. Dois dias depois, o primeiro email chegou assim:

SUBJECT: Problemas.
TEXTO: Chefe, complicou tudo aqui. Neste país, por incrível que pareça, ninguém usa sapato. Missão abortada. Volto amanhã. Att, José.

O segundo email.

SUBJECT: Incrível!
TEXTO: Boss, grande notícia. Neste país, por incrível que pareça, ninguém usa sapato. Podemos conquistar o mercado rápido, não existe concorrência. Aguardo próximo passos. Abrsssssss, Raul.

Pois abaixo tem algumas fotos que deixam claro pra galera que quer fazer DA a carência de bom gosto visual em nossa cidade, ao nosso redor. É um caminhão de lixo americano.






Bacana, né?! Com o perdão do trocadinho, joga muita marca aí do sul, no, no, no, no lixo.

E é isso que me faz pensar também que Porto Alegre é a terra das oportunidades. Restaurantes, livrarias, lojas de roupa, farmácias, Topics que vendem cachorro quente na frente do estádio. Basta olhar para o lado que se descobre alguém carente por idéias, design e bom gosto. É só saber fazer essas pessoas enxergarem isso. E o resultado que pode trazer.

Quem se habilita?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Aula de varejo.

Se tem quem trabalhe melhor o varejo que os americanos, por favor, me apresente. Porque Nova York não me deixa mentir.

Um belo exemplo é a Victoria Secret.
A gente vê as modelos mais belas do mundo desfilando (muitas brasileiras, inclusive) e todo aquele conceito fantástico por trás, mas é dentro da loja que entendemos de onde vem a grana pra todo esse show. É um negócio muito caro e alguém precisa pagar a conta.

Ninguém que entra disposto a comprar sai de lá apenas com aquilo que planejou. Posso quase afirmar isso.

O famoso "pague um, leve 2" aqui é levado muito a sério.

1 hidratante U$ 9, 3 por U$ 24 e 6 (sim, SEIS!) por U$ 30.
Pra uma mulher isso não é matemática, é um milagre mesmo.

"Aproveito e levo pra mãe, pra Mari, pra tia Isabel, pra Dedé, pra Isa e resolvo os presentes. Elas adoram!", ouvi na hora.
Enquanto isso, o Russo do meu lado possivelmente ouvia a mesma coisa, já que a mulher apontava saltitante, sorridente, para o cartaz.

Varejo não precisa passar a sensação de liquidação/saldão. Ainda mais quando tem uma marca forte que sustente o discurso. A palavra muda, vira OPORTUNIDADE. E quem perde uma?











É, não tem erro. A força da marca cria o desejo. Leva a mulher até a loja. E lá, o apelo quase radical para o consumo faz ela gastar mais do que tinha planejado. Assim como nas ofertas, a soma marca + promoção não é igual 2. É igual 6.

O intessentante disso tudo é ver como as duas coisas funcionam, sim, muito bem juntas, cada uma na sua hora. O desfile e mundo dos sonhos não tornam os produtos intangíveis. E o verejão não joga o marca pra baixo.

É que a rede americana entende mesmo as mulheres (sim, alguém entende, e bem, as mulheres).
Ou me diga se tem uma criatura apenas que não se sentiria absolutamente tentada a comprar o produto cuja embalagem (linda, rosa, chamativa) diz "The most sensual scent a girls can get"?



As artimanhas não param por aí. São tantas que não dá pra listar.

Mas pra quem resistiu a tudo, tem o golpe mortal. O brinde. Imagine que é o que está dentro dessa bolsinha "liiiiinda" que realmente se compra. 3 cremes. A essência, o tipo de pele, nada mais importa.

Toda mulher está sempre precisando de uma nova necessaire. Ainda mais que é de graça. É só pagar U$ 39!



Mas, no fim, a bolsinha veio a calhar.
Onde mesmo iríamos carregar os outros 12 cremes e o "the most sensual scent a girl can get"?

Isso que era só uma passadinha na loja para conhecer.
Mas valeu pela aula prática.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Osvaldo.

Está chegando a segunda-feira. E nada mais apropriado que colocar no blog um comercial que fala exatamente disso.



Impossível não comparar com a campanha do Zeca-feira. Impossível não comparar, pela trilhonésima vez, a propaganda tupiquiniquim com a hermana.

Mas nós vamos fazer um esforço. Não vamos alimentar essa polêmica. Até porque, quase tudo já foi dito, ouvido e falado na comparação propaganda brasileira vs. propaganda argentina (se vocês procurarem na internet, vão achar muitos artigos sobre o assunto - inclusive um bem recente escrito pelo Washington Olivetto).

Vamos ficar só nos dois filmes. As intenções são semelhantes (num é Zeca-feira, no outro é "Osvaldo-feira"). A grande diferença é que os hermanos conseguiram dar muito mais PERSONALIDADE que os nossos colegas brasileiros. E personalidade é uma coisa que, até o final do curso, nós vamos falar bastante. É possível ter ótimas idéias, mas quando têm personalidade, elas crescem, descolam e ganham um espaço na memória emocional do consumidor.

Boa Osvaldo para vocês.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

MotoGondry

Comercial recém lançado da Morotola. O making of pode ser conferido em http://www.motorola.com/razr2makingof.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Mini

Lembram do clip da Walverdes que o Felipe mostrou na última aula? Pois o vocalista da banda é um redator da Escala chamado Gustavo "Mini" Bittencourt.

Na real, na real, há poucos meses ele saiu da criação e assumiu um novo cargo na agência. Agora é Diretor de Conexões.

Não conseguimos falar com o Mini para entender direitinho essa mudança. Mas por tudo o que já foi falado, "conexões" são os pontos de contato entre o consumidor e as marcas. É uma nova forma de enxergar aquilo que um dia foi o Departamento de Mídia. Pelo menos, é o que tudo indica.

O Mini é um cara inteligentíssimo, muito bem informado sobre as novas mídias e com anos e anos de bagagem de criação. Parece ser a pessoa certa para assumir esse tipo de desafio.

Ele mantém um Blog chamado Conector, que é uma excelente fonte de referência.
http://conector.blogspot.com.

Além de notícias e novidades, há ótimos artigos, como o "Dança do Siri, o maior viral do Brasil?".
http://conector.blogspot.com/search?q=dan%C3%A7a+do+siri

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Mentes férteis

Nos últimos anos, a Sony Bravia teve o privilégio de entrar para a história da propaganda com dois comerciais fantásticos.

Primeiro foi o Balls (http://blogperestroika.blogspot.com/2007/08/reflexes-sobre-as-referncias.html) e, em seguida, o Paint (abaixo).



A terceira geração promete não frustrar as expectativas e vai invadir as ruas das grandes metrópoles com coelhos coloridos.



Muitas vezes, mais do que uma idéia legitimamente publicitária, a propaganda precisa despertar sensações. Ícones universais são capazes de provocar o nosso lado mais primitivo, que gosta/odeia sem saber direito por quê.

Não existe regra. As idéias podem ser mais Juliana Paes do que Marília Gabriela. Não precisam ser inteligentíssimas para impressionar. Às vezes, basta um grande espetáculo visual que nos faça adorar o filme.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Analógico x Digital

O discurso do Felipe sobre Analógico x Digital é fundamental para um criador. Não só na maneira de executar as idéias, mas também na forma de enxergar as novas mídias que estão surgindo.

No último mês, aconteceu a Game Convention, em Leipzig. É a maior feira de videogames da Europa. Além dos lançamentos de novos consoles, jogos e tecnologias, outro assunto esteve bem presente: os advergames (ou in-game advertising). Uma nova plataforma já experimentada por grandes marcas, como Coca-cola, Adidas e Intel.

Nós fomos educados dentro de uma cultura analógica. E é curioso ver como isso nos faz enxergar, muitas vezes, as novas mídias de maneira tradicional. O vídeo abaixo mostra bem isso.



Repare que a empresa simplesmente comercializa mídias tradicionais. Elas estão dentro de um ambiente virtual, sim, mas funcionam exatamente como as mídias tradicionais do mundo real. Estáticas, passivas, como paisagem. No Second Life acontece a mesma coisa. Por que, por exemplo, não pode sair uma mão de dentro de um outdoor e puxar o consumidor?

A Burger King já viu por outro ângulo. Ela criou seus próprios jogos, de forma que o consumidor fique em contato com a marca full-time. Mais: para adquirir os games, o cliente precisa ir até um restaurante BK. E pagar por isso.

domingo, 16 de setembro de 2007

Humor sério.

Neste exato momento, está começando a transmissão do Emmy Awards, o Oscar da produção televisiva. O prêmio sempre foi supervalorizado nos EUA, mas de uns anos para cá ele também ganhou espaço no Brasil. E o motivo é bem simples: o interesse dos brasileiros por sitcoms cresceu pra valer.

Hoje, é difícil encontrar alguém no círculo de amigos que não acompanhe alguma série. Heroes, CSI, House, Prison Break, 24 Horas, Dexter e por aí vai. O Felipe até brinca que, em breve, os restaurantes não vão mais dividir as pessoas em fumantes e não-fumantes, mas em Lostmaníacos e não-Lostmaníacos.

Por trás de 30 minutos de diversão, existem grandes aprendizados. Os seriados de humor, por exemplo, são excelentes aulas sobre construção de piadas. Preste atenção. Dentro de um mesmo episódio, o volume de gags é imenso. Dizem que Friends tem, em média, uma a cada seis segundos. Talvez seja um exagero, mas mesmo que sejam dez, doze, não importa. Um roteiro desse nível exige, acima de tudo, conhecimento da estrutura do diálogo e da técnica do humor.

Há pouco tempo, a Skol veiculou um comercial excelente. Veja só.



Agora, reveja e preste atenção no número de piadas e na forma como o diálogo foi montado. É um bombardeio de pequenas gags. Todas verdadeiras e universais. E que tiveram como inspiração a melhor das referências: a vida.