quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Pergunta
Amigos, me respondam por gentileza, se possível for: um estudante de design tem que fazer quantas cadeiras antes de se formar?
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Eu e os pronomes demonstrativos
As pessoas vivem me fazendo perguntas.
"Felipe, o que tu acha disso?"
"Felipe, como tu me explica isso?"
"Felipe, podia me ensinar a fazer isso?"
"Felipe, como pode acontecer isso?"
"Felipe, é possível isso?"
"Felipe, como é que tu faz isso?
"Felipe, como funciona isso aqui?
E sabe o que eu respondo para essas pessoas?
"Depende do que tu quer dizer com "isso". Dá pra ser mais específico?"
"Felipe, o que tu acha disso?"
"Felipe, como tu me explica isso?"
"Felipe, podia me ensinar a fazer isso?"
"Felipe, como pode acontecer isso?"
"Felipe, é possível isso?"
"Felipe, como é que tu faz isso?
"Felipe, como funciona isso aqui?
E sabe o que eu respondo para essas pessoas?
"Depende do que tu quer dizer com "isso". Dá pra ser mais específico?"
O Mestre Cervejeiro
Vocês já pararam pra pensar na vida do Mestre Cervejeiro? Não, né? Então, da próxima que for reclamar da vida, pense na seguinte cena: depois de um dia inteiro de trabalho, provando caixas e mais caixas de cerveja para ver se está tudo bem e - sabe como é - fazer o controle de qualidade e tal, o mestre chega em casa. Cansado. Exausto. Querendo relaxar. Aí, o que ele faz? Decide tomar uma cervejinha. Uma só, para desopilar, tirar os problemas do trabalho da cabeça.
Aí, ele tá ali, tomando aquela cervejinha, sorvendo com sua sapiência de mestre, degustando mesmo, deixando suas papilas gustativas absorverem a mistura perfeita de lúpulo, malte e cevada.
Daí, no melhor do descanso, chega a mulher dele reclamando:
"Pô Peixoto, quantas vezes eu já te disse pra não trazer trabalho pra casa?"
Toma outra, Peixoto.
Aí, ele tá ali, tomando aquela cervejinha, sorvendo com sua sapiência de mestre, degustando mesmo, deixando suas papilas gustativas absorverem a mistura perfeita de lúpulo, malte e cevada.
Daí, no melhor do descanso, chega a mulher dele reclamando:
"Pô Peixoto, quantas vezes eu já te disse pra não trazer trabalho pra casa?"
Toma outra, Peixoto.
Design Minguante
Gente, acho que achei um erro na teoria do Design Inteligente.
Se esse tal designer inteligente é tão inteligente assim, me expliquem o seguinte: por que a lua crescente tem forma de "C", mas a lua minguante não tem forma de "M"? Hein? Hein?
Arrá!
Se esse tal designer inteligente é tão inteligente assim, me expliquem o seguinte: por que a lua crescente tem forma de "C", mas a lua minguante não tem forma de "M"? Hein? Hein?
Arrá!
sábado, 20 de outubro de 2007
Eu adoro volante bandido.
Uma das coisas que eu mais gosto na Perestroika é, como diz o Felipe, quebrar a matrix da turma. Porque no primeiro dia, a gente olha lá de cima e fica imaginando quem vocês são. Mesmo com os questionários, mesmo com aqueles cinco minutos de bate-papo na recepção da DCS, fica impossível tirar qualquer conclusão sem cair em preconceitos e estereótipos.
Com o passar das semanas, cada um vai se revelando. E é aí que a coisa fica bacana. O Lucas deixa de ser o filho da Helena. O Panichi deixa de ser o pinta que imita o Silvio Santos. Cada um se tranforma num cara diferente daquele neguinho do primeiro dia de aula. E invariavelmente essa nova pessoa é muito mais legal.
É nessa hora que a gente vê quem vocês realmente são.
O mercado publicitário nos induz a seguir um modelo que nem sempre combina com a gente. Temos que comprar na Mulher do Padre. Temos que cortar o cabelo no Sexton. Temos que andar de All-Star e Ipod. Ou não, mas daí vão olhar você dos pés à cabeça com um ar de reprovação. Justo o mundo da publicidade, que se diz tão mente aberta.
Não há nada de errado em gostar da AMP ou de All-Star. O errado é ser engolido por esse universo. Não é fácil ser pagodeiro num meio onde todo mundo gosta de música eletrônica. Não é fácil ser mauricinho quando todo mundo é hype. E se você é pagodeiro ou mauricinho, tenho certeza que vai concordar comigo.
O mais importante é ser autêntico. Porque você só consegue dizer coisas verdadeiras - seja na propaganda, seja na vida - se você for verdadeiro. Quando a gente vive um personagem o tempo todo, e só deixa o papel quando deita na cama, alguma coisa está errada.
Se o seu negócio é pagodão, desses bem bagaceiros, não tenha medo de assumir. Até porque, uma hora ou outra, isso vai ser uma puta vantagem competitiva para você. Já pensou, quando tiver que criar um jingle chicletão para a Eldorado? Tenho certeza que vai tirar de letra.
Seja autêntico. Os caras mais fodas que eu conheço são assim. E só são fodas porque são assim.
Eu adoro volante bandido, jogar poker, Jack Black, cafuné, almoçar sozinho, feijão com farinha, camisa de botão, humor negro, filmes de máfia, dar aula na Perestroika, minha mulher, a sobremesa do Constantino, as piadas do meu vô, Diogo Mainardi, conversar com estrangeiros, Buenos Aires, fazer churrasco ouvindo Sala de Domingo. Eu odeio dirigir, tirar fotos, casamentos, fazer a barba, trabalhar no final de semana, livros com mais de 100 páginas, frutas, verduras, inverno, morar longe dos meus pais, Cinema Novo, gente que dança no meio da rodinha, Faustão e luau com violão. E tudo isso, certo ou errado, eu tento colocar nos meus títulos e roteiros da maneira mais verdadeira possível. Porque essa conjunção de fatores, essa visão de mundo, é um privilégio só meu. Se eu conseguir tranformar isso numa coisa interessante, será impossível copiar.
Nesse sentido, um aluno conquistou meu respeito e admiração. Um cara que é bem resolvido, que não se intimidou nem pelos alunos, nem pelos professores. Que lida com as brincadeiras com bom humor, sem nunca esquentar a cabeça. E que, mesmo com todas as provocações, nunca foi capaz de nos xingar com um único palavrão.
Com o passar das semanas, cada um vai se revelando. E é aí que a coisa fica bacana. O Lucas deixa de ser o filho da Helena. O Panichi deixa de ser o pinta que imita o Silvio Santos. Cada um se tranforma num cara diferente daquele neguinho do primeiro dia de aula. E invariavelmente essa nova pessoa é muito mais legal.
É nessa hora que a gente vê quem vocês realmente são.
O mercado publicitário nos induz a seguir um modelo que nem sempre combina com a gente. Temos que comprar na Mulher do Padre. Temos que cortar o cabelo no Sexton. Temos que andar de All-Star e Ipod. Ou não, mas daí vão olhar você dos pés à cabeça com um ar de reprovação. Justo o mundo da publicidade, que se diz tão mente aberta.
Não há nada de errado em gostar da AMP ou de All-Star. O errado é ser engolido por esse universo. Não é fácil ser pagodeiro num meio onde todo mundo gosta de música eletrônica. Não é fácil ser mauricinho quando todo mundo é hype. E se você é pagodeiro ou mauricinho, tenho certeza que vai concordar comigo.
O mais importante é ser autêntico. Porque você só consegue dizer coisas verdadeiras - seja na propaganda, seja na vida - se você for verdadeiro. Quando a gente vive um personagem o tempo todo, e só deixa o papel quando deita na cama, alguma coisa está errada.
Se o seu negócio é pagodão, desses bem bagaceiros, não tenha medo de assumir. Até porque, uma hora ou outra, isso vai ser uma puta vantagem competitiva para você. Já pensou, quando tiver que criar um jingle chicletão para a Eldorado? Tenho certeza que vai tirar de letra.
Seja autêntico. Os caras mais fodas que eu conheço são assim. E só são fodas porque são assim.
Eu adoro volante bandido, jogar poker, Jack Black, cafuné, almoçar sozinho, feijão com farinha, camisa de botão, humor negro, filmes de máfia, dar aula na Perestroika, minha mulher, a sobremesa do Constantino, as piadas do meu vô, Diogo Mainardi, conversar com estrangeiros, Buenos Aires, fazer churrasco ouvindo Sala de Domingo. Eu odeio dirigir, tirar fotos, casamentos, fazer a barba, trabalhar no final de semana, livros com mais de 100 páginas, frutas, verduras, inverno, morar longe dos meus pais, Cinema Novo, gente que dança no meio da rodinha, Faustão e luau com violão. E tudo isso, certo ou errado, eu tento colocar nos meus títulos e roteiros da maneira mais verdadeira possível. Porque essa conjunção de fatores, essa visão de mundo, é um privilégio só meu. Se eu conseguir tranformar isso numa coisa interessante, será impossível copiar.
Nesse sentido, um aluno conquistou meu respeito e admiração. Um cara que é bem resolvido, que não se intimidou nem pelos alunos, nem pelos professores. Que lida com as brincadeiras com bom humor, sem nunca esquentar a cabeça. E que, mesmo com todas as provocações, nunca foi capaz de nos xingar com um único palavrão.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Tenha sempre um plano B.
No último filme da trilogia Bourne, um dos fodões cita uma frase que eu sempre tive como lema, mesmo sem conhecê-la.
"Espere o melhor, mas prepare-se para o pior". Seja otimista, mas sempre tenha um Plano B.
Na propaganda esse é um exercício diário. É sempre importante fazer pensamento positivo. Mas nunca deixe de ter uma cartinha na manga, uma idéia na mocosa, caso dê tudo errado com o Diretor de Criação. Um título reserva, caso o cliente reprove na última hora. Um layout coringa, pra quando surgir um pit fura-pauta. Tenha sempre uma saída pela esquerda, porque surpresas numa agência de propaganda são tão comuns que nem surpreendem mais.
Por mais que você se planeje, por mais organizado que você seja, por mais que você preveja os acontecimentos, volta-e-meia dá merda. E normalmente quando a bomba está prestes a estourar, quem corta o fio vermelho é a criação. Veja o meu caso: entrei a madrugada por causa de um trabalho muito legal, mas que está queimadaço. Tô aqui, criando roteiro em cima de roteiro, porque amanhã não teremos chance de errar. Já devo estar no plano J.
Foda que, assim, faltou tempo para escrever um post inteligente no Blog da Perestroika. E daí, o que se faz?
Bom, daí você coloca um vídeo do novo Winning Eleven para Wii. Que não tem nada a ver com propaganda - mas é o jogo predileto de 9 entre 10 Perestroikanos.
"Espere o melhor, mas prepare-se para o pior". Seja otimista, mas sempre tenha um Plano B.
Na propaganda esse é um exercício diário. É sempre importante fazer pensamento positivo. Mas nunca deixe de ter uma cartinha na manga, uma idéia na mocosa, caso dê tudo errado com o Diretor de Criação. Um título reserva, caso o cliente reprove na última hora. Um layout coringa, pra quando surgir um pit fura-pauta. Tenha sempre uma saída pela esquerda, porque surpresas numa agência de propaganda são tão comuns que nem surpreendem mais.
Por mais que você se planeje, por mais organizado que você seja, por mais que você preveja os acontecimentos, volta-e-meia dá merda. E normalmente quando a bomba está prestes a estourar, quem corta o fio vermelho é a criação. Veja o meu caso: entrei a madrugada por causa de um trabalho muito legal, mas que está queimadaço. Tô aqui, criando roteiro em cima de roteiro, porque amanhã não teremos chance de errar. Já devo estar no plano J.
Foda que, assim, faltou tempo para escrever um post inteligente no Blog da Perestroika. E daí, o que se faz?
Bom, daí você coloca um vídeo do novo Winning Eleven para Wii. Que não tem nada a ver com propaganda - mas é o jogo predileto de 9 entre 10 Perestroikanos.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
A mosca e a sopa.
Balada. Tentando tirar o atraso. Falo que sou publicitário. Banco de bacana. Vai que cola.
Mal sabia eu que, naquele exato instante, minha percepção sobre a profissão estava prestes a mudar.
- Que legal. Me conta uma propaganda sua. Uma que eu conheça.
A publicidade nos dá uma falsa sensação de popularidade. Porque o nosso trabalho está lá, na rua, no outdoor, no jornal, no rádio, na TV. Pra todo mundo ver. Só que ninguém dá bola. É cruel saber que a gente trabalha tanto e que, na maioria dos casos, as pessoas simplesmente viram a página. Nós somos a mosca na sopa.
Quando sai o nosso primeiro anúncio, a gente recorta, mostra pra família, emoldura, bota na pasta. Abre a Zero Hora, na página 18, e fica babando por um simples rodapé. E isso é muito bacana. Essa relação de criador-criatura, de Dr. Frankenstein, é fundamental. Temos que ter orgulho daquilo que fazemos, assim como uma mãe sempre tem orgulho do filho. Por mais pestinha que seja, por mais este-título-é-do-cliente que seja.
Mas não podemos nunca nos deixar iludir. A visibilidade do nosso trabalho é infinitamente menor do que parece.
Demorei muito tempo pra entender essa dicotomia. Mas não entender do tipo "ah, entendi". E sim o "ah, agoooooooooooooooooora entendi". Só no dia que uma mina qualquer, de uma noite qualquer, me jogou essa verdade na cara. Que os meus filhos não eram tão bonitos e inteligentes quanto eu gostaria que fossem.
A não ser que você tenha uma idéia realmente fantástica, ou que você tenha a sorte de contar com um plano de mídia poderosíssimo, a sua campanha tende a cair numa vala comum. E ao contrário do que possa parecer, este não é um privilégio dos iniciantes. Bem pelo contrário.
Quanto maior a exposição, maiores são os polices. Maiores são as verbas, maior o medo do cliente perder uma puta grana. Maiores os boards de aprovação, maiores as possibilidades de um aspone botar tudo a perder. Maiores as responsabilidades, maiores as chances de alguém bater nas suas costas e dizer "tem que ficar bom, hein?".
Quanto mais você cresce na profissão, mais difícil as coisas ficam. Menor a sua chance de chegar uma idéia verdadeiramente original.
Portanto, aproveite esse início da carreira para ser irresponsável. Para tentar o diferente. Para chutar o pau da barraca. Existe uma estrutura que protege você e que impede que as suas barbaridades saiam pra rua. Entretanto, essa mesma estrutura vai perceber se você fizer algo novo. Seja cobaia das suas próprias idéias.
Faça como o refrão do famoso filme da Schin. Experimenta.
É isso que nos dá fôlego. É muito fácil se entregar para o sistema. É muito fácil desistir e fazer o que só o que o cliente vai aprovar. Mas os comerciais memoráveis são fruto da revolta, e não da acomodação. Se você quer que as pessoas não virem a página, é preciso ir pra luta. Se você quer que todo mundo pare na página 18, o seu rodapé tem que ser o melhor do mundo. É fácil ser mosca. Difícil é ser sopa.
Mal sabia eu que, naquele exato instante, minha percepção sobre a profissão estava prestes a mudar.
- Que legal. Me conta uma propaganda sua. Uma que eu conheça.
A publicidade nos dá uma falsa sensação de popularidade. Porque o nosso trabalho está lá, na rua, no outdoor, no jornal, no rádio, na TV. Pra todo mundo ver. Só que ninguém dá bola. É cruel saber que a gente trabalha tanto e que, na maioria dos casos, as pessoas simplesmente viram a página. Nós somos a mosca na sopa.
Quando sai o nosso primeiro anúncio, a gente recorta, mostra pra família, emoldura, bota na pasta. Abre a Zero Hora, na página 18, e fica babando por um simples rodapé. E isso é muito bacana. Essa relação de criador-criatura, de Dr. Frankenstein, é fundamental. Temos que ter orgulho daquilo que fazemos, assim como uma mãe sempre tem orgulho do filho. Por mais pestinha que seja, por mais este-título-é-do-cliente que seja.
Mas não podemos nunca nos deixar iludir. A visibilidade do nosso trabalho é infinitamente menor do que parece.
Demorei muito tempo pra entender essa dicotomia. Mas não entender do tipo "ah, entendi". E sim o "ah, agoooooooooooooooooora entendi". Só no dia que uma mina qualquer, de uma noite qualquer, me jogou essa verdade na cara. Que os meus filhos não eram tão bonitos e inteligentes quanto eu gostaria que fossem.
A não ser que você tenha uma idéia realmente fantástica, ou que você tenha a sorte de contar com um plano de mídia poderosíssimo, a sua campanha tende a cair numa vala comum. E ao contrário do que possa parecer, este não é um privilégio dos iniciantes. Bem pelo contrário.
Quanto maior a exposição, maiores são os polices. Maiores são as verbas, maior o medo do cliente perder uma puta grana. Maiores os boards de aprovação, maiores as possibilidades de um aspone botar tudo a perder. Maiores as responsabilidades, maiores as chances de alguém bater nas suas costas e dizer "tem que ficar bom, hein?".
Quanto mais você cresce na profissão, mais difícil as coisas ficam. Menor a sua chance de chegar uma idéia verdadeiramente original.
Portanto, aproveite esse início da carreira para ser irresponsável. Para tentar o diferente. Para chutar o pau da barraca. Existe uma estrutura que protege você e que impede que as suas barbaridades saiam pra rua. Entretanto, essa mesma estrutura vai perceber se você fizer algo novo. Seja cobaia das suas próprias idéias.
Faça como o refrão do famoso filme da Schin. Experimenta.
É isso que nos dá fôlego. É muito fácil se entregar para o sistema. É muito fácil desistir e fazer o que só o que o cliente vai aprovar. Mas os comerciais memoráveis são fruto da revolta, e não da acomodação. Se você quer que as pessoas não virem a página, é preciso ir pra luta. Se você quer que todo mundo pare na página 18, o seu rodapé tem que ser o melhor do mundo. É fácil ser mosca. Difícil é ser sopa.
domingo, 14 de outubro de 2007
Lami's Next Top Model
Adoro reality shows. Tudo começou com os nacionais No Limite, Casa dos Artistas e BBB. Acho que, tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional, sempre tive o hábito de observar as pessoas no dia-a-dia.
Não tardou para que eu virasse fã também dos programas gringos. Especialmente porque trazem assuntos diretamente associadas à criatividade e/ou propaganda. O Aprendiz, Hell's Kitchen, Project Runway, On The Lot, ih, perdi a conta.
Neste exato momento, estou acompanhando o Brazil's Next Top Model. O original americano foi muito bacana, tinha lindas modelos e profissionais do primeiro time. Dava pra ver o poder do dinheiro alimentando a indústria da moda, por vezes glamourosa, por vezes não. Mas a comparação com a versão brasileira é chocante. Mesmo com gente de gabarito, o programa brasileiro parece pobre. Até as modelos são meio barangas.

Esse parece ser um bom exemplo da diferença dos mercados publicitários de moda nos EUA e do Brasil. Mesmo com inúmeros talentos por aqui, o consumidor brasileiro não tem poder de compra para gerar uma indústria fashion. Nada mais natural que isso se reflita nas verbas de publicidade.
Há muitas marcas de moda no Brasil, mas pouquíssimas investem pesado na hora de anunciar. Porque é caro contratar uma modelo foda, um fotógrafo foda, um maquiador foda, para clicar numa locação foda. É papel do criador dimensionar bem isso. Ou o nosso layout, com a Gisele Bündchen, fotografada pelo La Chapelle no mar do Caribe vira a fulaninha desfilando todo seu charme às margens do Lami. (Aula do Rafa)

Mais: para fazer volume, para vender para todas as classes, para fazer a máquina girar, a comunicação precisa ser bem menos sofisticada do que aquela que costumamos ver na Vogue. O que o Brasil consome não é o que nós consumimos. Os produtos que gostamos não são os mesmos que a Classe C curte. (Aula do Márcio)
Onde eu quero chegar? Que as nossas referências, que as coisas legais que vemos, que as novidades que acompanhamos pelo Youtube são a ponta do iceberg. E que não adianta simplesmente adequarmos isso para uma população que gosta de Zorra Total. É preciso quebrar a matrix, entender o que essas linguagens têm de legal e, aí sim: adequar para um formato mais popular. (Aula do Felipe)

Moda é foda. Cansei de criar campanhas que ficavam lindas no papel. O cliente aprovava, rasgava elogios - mas só até chegar o orçamento. Então cortava o Caribe, cortava o fotógrafo, cortava a modelo. Não sobrava nem dinheiro para a fulaninha no Lami. Nessa hora, ele pedia meio envergonhado: "não dá pra estourar o produto e colocar um título?". (Aula da Tiago)
Não tardou para que eu virasse fã também dos programas gringos. Especialmente porque trazem assuntos diretamente associadas à criatividade e/ou propaganda. O Aprendiz, Hell's Kitchen, Project Runway, On The Lot, ih, perdi a conta.
Neste exato momento, estou acompanhando o Brazil's Next Top Model. O original americano foi muito bacana, tinha lindas modelos e profissionais do primeiro time. Dava pra ver o poder do dinheiro alimentando a indústria da moda, por vezes glamourosa, por vezes não. Mas a comparação com a versão brasileira é chocante. Mesmo com gente de gabarito, o programa brasileiro parece pobre. Até as modelos são meio barangas.
Esse parece ser um bom exemplo da diferença dos mercados publicitários de moda nos EUA e do Brasil. Mesmo com inúmeros talentos por aqui, o consumidor brasileiro não tem poder de compra para gerar uma indústria fashion. Nada mais natural que isso se reflita nas verbas de publicidade.
Há muitas marcas de moda no Brasil, mas pouquíssimas investem pesado na hora de anunciar. Porque é caro contratar uma modelo foda, um fotógrafo foda, um maquiador foda, para clicar numa locação foda. É papel do criador dimensionar bem isso. Ou o nosso layout, com a Gisele Bündchen, fotografada pelo La Chapelle no mar do Caribe vira a fulaninha desfilando todo seu charme às margens do Lami. (Aula do Rafa)
Mais: para fazer volume, para vender para todas as classes, para fazer a máquina girar, a comunicação precisa ser bem menos sofisticada do que aquela que costumamos ver na Vogue. O que o Brasil consome não é o que nós consumimos. Os produtos que gostamos não são os mesmos que a Classe C curte. (Aula do Márcio)
Onde eu quero chegar? Que as nossas referências, que as coisas legais que vemos, que as novidades que acompanhamos pelo Youtube são a ponta do iceberg. E que não adianta simplesmente adequarmos isso para uma população que gosta de Zorra Total. É preciso quebrar a matrix, entender o que essas linguagens têm de legal e, aí sim: adequar para um formato mais popular. (Aula do Felipe)
Moda é foda. Cansei de criar campanhas que ficavam lindas no papel. O cliente aprovava, rasgava elogios - mas só até chegar o orçamento. Então cortava o Caribe, cortava o fotógrafo, cortava a modelo. Não sobrava nem dinheiro para a fulaninha no Lami. Nessa hora, ele pedia meio envergonhado: "não dá pra estourar o produto e colocar um título?". (Aula da Tiago)
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Tropa de Elite x Cidade de Deus
Encarei uma sessão lotada. Tive que sentar na primeira fileira. Tudo para suprir a minha curiosidade. Afinal, duas pessoas tinham dito que Tropa de Elite era melhor que Cidade de Deus. Até o ranking do IMDB (imdb.com), que sempre faço questão de consultar, confirmava isso. E quando você considera Cidade de Deus um dos melhores filmes da história, a expectativa passa a ser das maiores.
Não vejo novelas, acho que a trama demora muito a se desenrolar. Por isso, não tive a oportunidade de acompanhar a grande atuação do Wagner Moura como o vilão Olavo, sucesso de público e crítica, responsável pelo recorde de audiência da Globo em 2007.
Mas não tenho medo de afirmar que, como Capitão Nascimento, ele está muito melhor. É daquelas personagens que valem o ingresso. Entretanto, não é suficiente para alçar Tropa de Elite ao patamar da obra-prima de Fernando Meirelles. É só fazer uma rápida análise da parte técnica (direção, fotografia, roteiro, edição, figurino, trilha) pra ver que Cidade de Deus é de outra turma. Pra falar bem a verdade, nem achei Tropa de Elite grande coisa - mas essa é só a minha opinião.
Partindo desse pressuposto, a pergunta que me fiz foi: como o filme conseguiu um buzz tão positivo?
Alguns dizem que foi casualidade, outros que foi planejado. Mas o vazamento, que desencadeou mais de mais de 3 milhões de cópias piratas, agiu como um legítimo viral. E aí, nascia a melhor propaganda que um longa metragem pode ter: o boca-a-boca. Ou você acha que alguém que se presta a baixar o filme e assisti-lo antes da estréia vai ficar quietinho depois? Claro que não: ele vai contar para todo mundo que já viu. E que gostou.
Explico.
Sempre defendi a tese que as pessoas normalmente elogiam aquilo que conhecem com antecedência. Quem viaja a um país exótico, costuma falar bem. Quem é convidado para a inauguração de uma nova balada, geralmente paga-pau. E até numa exibição de filmes publicitários, quando alguém já viu o comercial que está passando no telão, fala "Ah, esse é muito bom!". Repare.
Isso faz parte da essência humana. Se você tem acesso a algo restrito, é natural que valorize. Voltando ao exemplo da balada: se você foi convidado para a inauguração do lugar, e diz "fui e o pico é muito a fudê", você é um privilegiado. Agora, se você responder "tava uma merda", passa por trouxa.
Acho que está aí o fenômeno Tropa de Elite. Um grande case de comunicação. Que até pode ter sido sem-querer-querendo. Mas eu, desconfiado do jeito que sou, acho que os movimentos foram friamente calculados.
*****
E você, concorda? Também acha que foi tudo planejado? Gostou do filme? Quem é melhor? Tropa de Elite? Cidade de Deus? Ou será que foi Paraíso Tropical? Deixe sua opinião nos comentários.
Não vejo novelas, acho que a trama demora muito a se desenrolar. Por isso, não tive a oportunidade de acompanhar a grande atuação do Wagner Moura como o vilão Olavo, sucesso de público e crítica, responsável pelo recorde de audiência da Globo em 2007.
Mas não tenho medo de afirmar que, como Capitão Nascimento, ele está muito melhor. É daquelas personagens que valem o ingresso. Entretanto, não é suficiente para alçar Tropa de Elite ao patamar da obra-prima de Fernando Meirelles. É só fazer uma rápida análise da parte técnica (direção, fotografia, roteiro, edição, figurino, trilha) pra ver que Cidade de Deus é de outra turma. Pra falar bem a verdade, nem achei Tropa de Elite grande coisa - mas essa é só a minha opinião.
Partindo desse pressuposto, a pergunta que me fiz foi: como o filme conseguiu um buzz tão positivo?
Alguns dizem que foi casualidade, outros que foi planejado. Mas o vazamento, que desencadeou mais de mais de 3 milhões de cópias piratas, agiu como um legítimo viral. E aí, nascia a melhor propaganda que um longa metragem pode ter: o boca-a-boca. Ou você acha que alguém que se presta a baixar o filme e assisti-lo antes da estréia vai ficar quietinho depois? Claro que não: ele vai contar para todo mundo que já viu. E que gostou.
Explico.
Sempre defendi a tese que as pessoas normalmente elogiam aquilo que conhecem com antecedência. Quem viaja a um país exótico, costuma falar bem. Quem é convidado para a inauguração de uma nova balada, geralmente paga-pau. E até numa exibição de filmes publicitários, quando alguém já viu o comercial que está passando no telão, fala "Ah, esse é muito bom!". Repare.
Isso faz parte da essência humana. Se você tem acesso a algo restrito, é natural que valorize. Voltando ao exemplo da balada: se você foi convidado para a inauguração do lugar, e diz "fui e o pico é muito a fudê", você é um privilegiado. Agora, se você responder "tava uma merda", passa por trouxa.
Acho que está aí o fenômeno Tropa de Elite. Um grande case de comunicação. Que até pode ter sido sem-querer-querendo. Mas eu, desconfiado do jeito que sou, acho que os movimentos foram friamente calculados.
*****
E você, concorda? Também acha que foi tudo planejado? Gostou do filme? Quem é melhor? Tropa de Elite? Cidade de Deus? Ou será que foi Paraíso Tropical? Deixe sua opinião nos comentários.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Documento histórico. Ainda sobre o Marco Loco.
Sempre acreditei que por qualquer lugar que as pessoas passem
elas têm que fazer história. Pra mim, é pensando assim que se faz coisas relevantes.
Há mais ou menos 10 anos, o Marco entrou na Escala e mostrou essa ilustração como portfolio. Nesse dia ele começou a fazer história lá.

Não sei como, mas ainda bem que deram estágio para ele.
E também não sei por que, pedi uma cópia da ilustração de presente.
Hoje tenho certeza que ele entrou lá porque conquistou todo mundo com o carisma, a espontaneidade e principalmente pela originalidade dele.
Foi a úncia pessoa que mostrou uma pasta diferente das que todos estavam acostumados a ver. Foi quem trouxe coisas novas.
Onde que eu quero chegar com esse post? É o seguinte: sejam sempre originais, façam coisas que nunca foram feitas. Hoje entendo que aquela ilustração mostrou coragem, personalidade e uma boa dose de cara-de-pau.
Um portfolio que começou com um desenho de brincadeira, agora tem trabalhos de cliente como Adidas, PlayStation, Apple, Absolut e Pedigree, que são o sonho de qualquer criador.
Por algum motivo (talvez inconscientemente eu sabia que aquele guri ia longe), guardei o presente até hoje.
PS: Marco, se por acaso você ler o post,
um abração e muito boa sorte na Alemanha.
elas têm que fazer história. Pra mim, é pensando assim que se faz coisas relevantes.
Há mais ou menos 10 anos, o Marco entrou na Escala e mostrou essa ilustração como portfolio. Nesse dia ele começou a fazer história lá.
Não sei como, mas ainda bem que deram estágio para ele.
E também não sei por que, pedi uma cópia da ilustração de presente.
Hoje tenho certeza que ele entrou lá porque conquistou todo mundo com o carisma, a espontaneidade e principalmente pela originalidade dele.
Foi a úncia pessoa que mostrou uma pasta diferente das que todos estavam acostumados a ver. Foi quem trouxe coisas novas.
Onde que eu quero chegar com esse post? É o seguinte: sejam sempre originais, façam coisas que nunca foram feitas. Hoje entendo que aquela ilustração mostrou coragem, personalidade e uma boa dose de cara-de-pau.
Um portfolio que começou com um desenho de brincadeira, agora tem trabalhos de cliente como Adidas, PlayStation, Apple, Absolut e Pedigree, que são o sonho de qualquer criador.
Por algum motivo (talvez inconscientemente eu sabia que aquele guri ia longe), guardei o presente até hoje.
PS: Marco, se por acaso você ler o post,
um abração e muito boa sorte na Alemanha.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Tá ficando tiozinho.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Alguma coisa estranha
Semana passado fui ao Rio de Janeiro para um trabalho.
Notei que alguma coisa estava diferente quando entrei em um táxi e o assunto era um filme, quando entrei em uma padaria e o assunto era cinema, quando passei por funcionários da prefeitura (esses que fazem obras nas ruas) e o assunto continuava sendo um filme.
Ainda não vi, mas a quantidade de cópias piratas que circulam no Rio é impressionante. Número tão grande que já é campeão de vendas em DVD’s piratas. O que obrigou a adiantar a estréia do filme para esse último final de semana. Por aqui, a estréia é dia 12 de outubro.
O filme conta a história de Nascimento, capitão da Tropa de Elite do Rio de Janeiro que tem o trabalho de comandar o grupo em missões no morro.
Ele está com a mulher grávida e vive o conflito diário se vai voltar para casa no fim do dia. Essa é apenas uma parte da história.
Esse era o assunto no Rio.
E para o Rio de Janeiro não falar em praia, nem em futebol e o assunto ser um filme brasileiro é porque ele deve ser bom.
Tropa de Elite. Missão dada é missão cumprida.
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