Hoje é a despedida do Felipe da Live.
Sexta, sábado e domingo, ele entra no período de descompressão.
E a partir de segunda-feira, ele é 100% Perestroika.
De todos os momentos históricos que tivemos até agora (inauguração, novas turmas, nova sede, Ironman), esse é certamente o mais emblemático.
Boa sorte, meu velho. Vai lá e faz.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Mais um jabá.
A galera tava quase botando a perder a filosofia de "Foi lá e fez", tamanha a enrolação.
Mas, felizmente, depois de muito debate, de muitos votos, e de milhares de emails, o Blog da Turma 3 finalmente nasceu. Por sinal, foram gêmeos?
O nome não poderia ser outro.
http://dedonocuegritaria.blogspot.com.
Ou clique aqui.
Mas, felizmente, depois de muito debate, de muitos votos, e de milhares de emails, o Blog da Turma 3 finalmente nasceu. Por sinal, foram gêmeos?
O nome não poderia ser outro.
http://dedonocuegritaria.blogspot.com.
Ou clique aqui.
A vida é ou não é a melhor referência?
Uma vez, eu e o Rafa fizomos um anúncio da Olympikus para a Void. Justamente por veicular na Void, a gente tinha que acelerar. Não podia ser um lance nerd.
O anúncio era só um tênis feminino, estouradão, e duas ilustrações, de um anjinho e um diabinho, feitas pelo Diego Medina. Os dois eram meio detonadões mesmo, bem subversivos, como o Medina curte.
O modelo era branco com detalhes em rosa, todo fófi. Então, para adequar ao público da revista, saíam dois balõezinhos de diálogo, um do anjo e um do diabo, dizendo:
(Anjo)
- Se você é virgem, use Olympikus Tube.
(Diabinho)
- Se você é virgem, eu sou a mãe do Badanha.
***
Essa peça me lembra aquelas situações em que a gente é tentado pela vagabundagem. Aqueles dias que, em vez de ter um anjinho e um diabinho, um em cada ombro, a gente está acompanhado por dois diabinhos.
Tipo quando a gente tem uma puta campanha para layoutar para o dia seguinte, 9h da manhã, e recebe um torpedo de uma gostosa que está sozinha em casa.
Ou quando a gente tem que entrar na madrugada trabalhando, mas lembra que tá rolando um puta jogão na TV.
Ou quando todo mundo fica metendo uma pilha para você ir na festa, mesmo sabendo que no outro dia tem que chegar às 6h na agência, para terminar de montar as peças que vão ser enviadas por Sedex.
E aí? Foda-se a agência, não é? A vida é a melhor referência, não é?
Médio.
A grande sabedoria aí está no bom senso. Ficar preso na agência não é uma coisa das mais legais. Mas, às vezes (e, às vezes, muitas vezes), é preciso.
Nessas horas, vale lembrar de um dos mandamentos que a gente apresenta no primeiro dia de aula.
"TRABALHAR EM PROPAGANDA É LEGAL, MAS É TRABALHO. E TRABALHO, DE VEZ EM QUANDO, É UM SACO."
Assim como é muito fácil pensar "Ah, é só um anúncio, não vou morrer se me demitirem, eu vou é curtir a vida", também dá pra pensar "Ah, é só uma mina, não vou morrer se perder essa FG, trabalho é trabalho".
O botãozinho de foda-se vale para os dois lados. Sobrevive na propaganda quem resiste mais vezes a essas tentações.
Eu lembro, com bastante nitidez, de deixar de ir em várias festas, enquanto alguns contemporâneos chutavam o balde de segunda a segunda. Na época, uns até me achavam meio CDF. E, talvez, olhando para trás, eu talvez estivesse sendo exigente demais com aquele Tiago, com que tinha só 18 anos na cara.
Mas com as coisas acontecendo na minha carreira, e as propostas, e os aumentos, e a visibilidade, deu pra ver que o essa nerdzice tinha um sentido.
Então, não usem esse bordão da Perestroika como álibi para a vagabundagem. Se querem sair, se querem ouvir os diabinhos, beleza. Não culpem a gente.
Culpem a mãe do Badanha.
O anúncio era só um tênis feminino, estouradão, e duas ilustrações, de um anjinho e um diabinho, feitas pelo Diego Medina. Os dois eram meio detonadões mesmo, bem subversivos, como o Medina curte.
O modelo era branco com detalhes em rosa, todo fófi. Então, para adequar ao público da revista, saíam dois balõezinhos de diálogo, um do anjo e um do diabo, dizendo:
(Anjo)
- Se você é virgem, use Olympikus Tube.
(Diabinho)
- Se você é virgem, eu sou a mãe do Badanha.
***
Essa peça me lembra aquelas situações em que a gente é tentado pela vagabundagem. Aqueles dias que, em vez de ter um anjinho e um diabinho, um em cada ombro, a gente está acompanhado por dois diabinhos.
Tipo quando a gente tem uma puta campanha para layoutar para o dia seguinte, 9h da manhã, e recebe um torpedo de uma gostosa que está sozinha em casa.
Ou quando a gente tem que entrar na madrugada trabalhando, mas lembra que tá rolando um puta jogão na TV.
Ou quando todo mundo fica metendo uma pilha para você ir na festa, mesmo sabendo que no outro dia tem que chegar às 6h na agência, para terminar de montar as peças que vão ser enviadas por Sedex.
E aí? Foda-se a agência, não é? A vida é a melhor referência, não é?
Médio.
A grande sabedoria aí está no bom senso. Ficar preso na agência não é uma coisa das mais legais. Mas, às vezes (e, às vezes, muitas vezes), é preciso.
Nessas horas, vale lembrar de um dos mandamentos que a gente apresenta no primeiro dia de aula.
"TRABALHAR EM PROPAGANDA É LEGAL, MAS É TRABALHO. E TRABALHO, DE VEZ EM QUANDO, É UM SACO."
Assim como é muito fácil pensar "Ah, é só um anúncio, não vou morrer se me demitirem, eu vou é curtir a vida", também dá pra pensar "Ah, é só uma mina, não vou morrer se perder essa FG, trabalho é trabalho".
O botãozinho de foda-se vale para os dois lados. Sobrevive na propaganda quem resiste mais vezes a essas tentações.
Eu lembro, com bastante nitidez, de deixar de ir em várias festas, enquanto alguns contemporâneos chutavam o balde de segunda a segunda. Na época, uns até me achavam meio CDF. E, talvez, olhando para trás, eu talvez estivesse sendo exigente demais com aquele Tiago, com que tinha só 18 anos na cara.
Mas com as coisas acontecendo na minha carreira, e as propostas, e os aumentos, e a visibilidade, deu pra ver que o essa nerdzice tinha um sentido.
Então, não usem esse bordão da Perestroika como álibi para a vagabundagem. Se querem sair, se querem ouvir os diabinhos, beleza. Não culpem a gente.
Culpem a mãe do Badanha.
Hora do recreio.
Tá, eu poderia inventar algum motivo para botar isso no blog. Mas na real, não tem. Só achei uma busca.
terça-feira, 29 de julho de 2008
MUSEANDO
As minhas amigas aqui da Live montaram há uns 2 meses um blog superlegal, chamado Museando. Posso garantir que as meninas são umas miusas mesmo (eu não escrevi errado, o jargão é "miusas"). Todo dia tem post novo. Mais que um post até.
O que vale o post é que essas Musas de Rede estão muito dentro do espírito "Foi lá e fez". Dois exemplos estão aqui embaixo.
O primeiro é uma paródia que elas fizeram do vídeo da Francine, que eu mostrei na minha aula "A Vingança dos Nerds".
Mais do que uma paródia, trata-se de uma forma de homenagem-justiceira. Vamos combinar que todo mundo fala umas merdas de vem em quando. Principalmente quando tomou umas a mais. Seria legal se virasse movimento mesmo. Veja o post inteiro.
Outro post legal é o vídeo denúncia sobre a condição precária dos banheiros femininos da noite portoalegrense.
A única coisa que eu discordo muito das musas é essa fixação na Amy Winehouse. Mas tudo bem, isso já faz parte de uma ilusão coletiva, que está enganando boa parte do mundo.
Parabéns, Musas.
Boa sorte, Musas.
E bem-vindas aos links da Perestroika, suas Miuuuuuusas.
O que vale o post é que essas Musas de Rede estão muito dentro do espírito "Foi lá e fez". Dois exemplos estão aqui embaixo.
O primeiro é uma paródia que elas fizeram do vídeo da Francine, que eu mostrei na minha aula "A Vingança dos Nerds".
Mais do que uma paródia, trata-se de uma forma de homenagem-justiceira. Vamos combinar que todo mundo fala umas merdas de vem em quando. Principalmente quando tomou umas a mais. Seria legal se virasse movimento mesmo. Veja o post inteiro.
Outro post legal é o vídeo denúncia sobre a condição precária dos banheiros femininos da noite portoalegrense.
A única coisa que eu discordo muito das musas é essa fixação na Amy Winehouse. Mas tudo bem, isso já faz parte de uma ilusão coletiva, que está enganando boa parte do mundo.
Parabéns, Musas.
Boa sorte, Musas.
E bem-vindas aos links da Perestroika, suas Miuuuuuusas.
domingo, 27 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Edição é foda.
(Descobri ontem, conversando com um aluno, que esse vídeo é velho. Mas ainda assim, vou manter, porque é muito a fudê.)
Olha que obra-prima de edição.
Por sinal, fica a pergunta: de onde esse cara tirou essa idéia? Como é que ele tirou sabia que ia ficar legal? Como é que ele associou essas duas coisas?
Brilhante.
Olha que obra-prima de edição.
Por sinal, fica a pergunta: de onde esse cara tirou essa idéia? Como é que ele tirou sabia que ia ficar legal? Como é que ele associou essas duas coisas?
Brilhante.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Oscar póstumo.
Eu ainda não vi Batman. Li algumas críticas que falaram muito bem. O que eu sei é que a bilheteria da primeira semana foi foda. Talvez impulsionada por toda a campanha, que teve de tudo (até um ARG estratosférico) e criou uma mega expectativa.
Entretanto, a notícia que mais me impressionou é que está rolando uma pressão para que o Heath Ledger, que interpreta o Coringa, e foi dessa para melhor logo após as filmagens, leve o Oscar.
De novo, eu não vi o filme. Daqui a pouco, o cara merece mesmo a distinção da Academia. Mas convenhamos: interpretar o Coringa é um papel filé.
***
Eu sempre achei que existem os "papéis filé" e os "papéis briefing".
Por "papel filé", eu cosidero todo o tipo de personagem que, no roteiro, já dá pra ver que rende. Ele não necessariamente depende de uma boa interpretação para se destacar. Se o ator contribuir, melhor.
Nesses casos, me parece que o mérito está mais no roteirista que no próprio ator.
***
Dá até pra dividir em categorias de "papéis filé".
Tem a categoria Retardadadinhos, como Tom Hanks em 1995 e Dustin Hoffman em 1989.
Tem a categoria Nada Retardadinhos (Ou Superinteligentes), como Anthony Hopkins em 1992.
Tem a categoria Resmungões Espirituosos, como Al Pacino em 1993 e Jack Nicholson em 1998.
Tem a categoria Celebridades Excêntricas, tipo o Philip Seymour Hoffman em 2006.
E por aí vai.
***
Assim como a gente não julga da mesma forma uma campanha de varejo e uma campanha filantrópica, eu acho que a gente tem que ter cuidado para não cometer esse erro no cinema.
Eu acho do caralho quando o ator interpreta de forma genial uma pessoa com traços mais comuns. Mais um neguinho do dia-a-dia mesmo, sem afetações. Como o Adrien Brody, em 2003.
Tá, eu não estou dizendo que nenhum dos citados acima foi mal interpretado. Acho todos fodásticos (deles, o meu preferido é o Anthony Hopkins). Só acho que o fator filé vs. briefing tem que ser levado em conta. Especialmente, em premiações.
De qualquer forma, já me programei para, no fim de semana, tirar a prova.
Entretanto, a notícia que mais me impressionou é que está rolando uma pressão para que o Heath Ledger, que interpreta o Coringa, e foi dessa para melhor logo após as filmagens, leve o Oscar.
De novo, eu não vi o filme. Daqui a pouco, o cara merece mesmo a distinção da Academia. Mas convenhamos: interpretar o Coringa é um papel filé.
***
Eu sempre achei que existem os "papéis filé" e os "papéis briefing".
Por "papel filé", eu cosidero todo o tipo de personagem que, no roteiro, já dá pra ver que rende. Ele não necessariamente depende de uma boa interpretação para se destacar. Se o ator contribuir, melhor.
Nesses casos, me parece que o mérito está mais no roteirista que no próprio ator.
***
Dá até pra dividir em categorias de "papéis filé".
Tem a categoria Retardadadinhos, como Tom Hanks em 1995 e Dustin Hoffman em 1989.
Tem a categoria Nada Retardadinhos (Ou Superinteligentes), como Anthony Hopkins em 1992.
Tem a categoria Resmungões Espirituosos, como Al Pacino em 1993 e Jack Nicholson em 1998.
Tem a categoria Celebridades Excêntricas, tipo o Philip Seymour Hoffman em 2006.
E por aí vai.
***
Assim como a gente não julga da mesma forma uma campanha de varejo e uma campanha filantrópica, eu acho que a gente tem que ter cuidado para não cometer esse erro no cinema.
Eu acho do caralho quando o ator interpreta de forma genial uma pessoa com traços mais comuns. Mais um neguinho do dia-a-dia mesmo, sem afetações. Como o Adrien Brody, em 2003.
Tá, eu não estou dizendo que nenhum dos citados acima foi mal interpretado. Acho todos fodásticos (deles, o meu preferido é o Anthony Hopkins). Só acho que o fator filé vs. briefing tem que ser levado em conta. Especialmente, em premiações.
De qualquer forma, já me programei para, no fim de semana, tirar a prova.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Acabou (Despedida Gestão de Contas)
Para ler ouvindo “The Power of Goodbye” da Madonna (abaixo).
Completando o belíssimo ato falho do João segunda: “Entre mortos e sobreviventes... feriram-se todos”. Mas, a idéia era justamente essa: provocar mudança. E mudança como vimos em aula pressupõe dor, dificuldade e muita capacidade de desapego.
A Perestroika começou pela vontade de ajudar a mudar a propaganda.
Fazer a sua parte para preparar profissionais mais maduros, preparados, criativos, mas acima de tudo, inspirados. Profissionais “padrão iogurte”.
O Gestão de Contas veio para fazer isso em uma das áreas mais carentes de reciclagem. Pra gente, glamourizar o atendimento nunca significou jogar ainda mais purpurina em festas de premiação. Tem a ver com auto-estima. Saber o verdadeiro valor desse profissional e ajudar aos pouquinhos, quase por osmose, a fazer todo o mercado perceber (ou não esquecer) disso.
Quando fechamos nosso “circulo da verdade” no final da aula, ouvimos muito mais do que podíamos esperar quando montamos esse curso. Escutamos alunos motivados, seguros, com mais dúvidas do que quando entraram e muito mais humildes diante do conhecimento que de fato existe por trás dessa profissão. Mas, o mais importante foi o feedback não-verbal: sorrisos, intimidade, alegria e, ousaria dizer, uma pontinha de orgulho.
Missão cumprida.
Turma 1 do Gestão de Contas: “vocês foram a nossa lição que tínhamos que aprender”. E nós só temos a agradecer pelos milhares de ensinamentos.
Muito obrigada. Apagamos ontem a luz da sala 1302 com a sensação de sermos profissionais melhores e estarmos realmente participando de uma revolução ao seu lado.
Inspirada na manchete da vinda da Madonna pro Brasil, finalizo com sua genialidade:
There’s no greater power then the power of goodbye.
Completando o belíssimo ato falho do João segunda: “Entre mortos e sobreviventes... feriram-se todos”. Mas, a idéia era justamente essa: provocar mudança. E mudança como vimos em aula pressupõe dor, dificuldade e muita capacidade de desapego.
A Perestroika começou pela vontade de ajudar a mudar a propaganda.
Fazer a sua parte para preparar profissionais mais maduros, preparados, criativos, mas acima de tudo, inspirados. Profissionais “padrão iogurte”.
O Gestão de Contas veio para fazer isso em uma das áreas mais carentes de reciclagem. Pra gente, glamourizar o atendimento nunca significou jogar ainda mais purpurina em festas de premiação. Tem a ver com auto-estima. Saber o verdadeiro valor desse profissional e ajudar aos pouquinhos, quase por osmose, a fazer todo o mercado perceber (ou não esquecer) disso.
Quando fechamos nosso “circulo da verdade” no final da aula, ouvimos muito mais do que podíamos esperar quando montamos esse curso. Escutamos alunos motivados, seguros, com mais dúvidas do que quando entraram e muito mais humildes diante do conhecimento que de fato existe por trás dessa profissão. Mas, o mais importante foi o feedback não-verbal: sorrisos, intimidade, alegria e, ousaria dizer, uma pontinha de orgulho.
Missão cumprida.
Turma 1 do Gestão de Contas: “vocês foram a nossa lição que tínhamos que aprender”. E nós só temos a agradecer pelos milhares de ensinamentos.
Muito obrigada. Apagamos ontem a luz da sala 1302 com a sensação de sermos profissionais melhores e estarmos realmente participando de uma revolução ao seu lado.
Inspirada na manchete da vinda da Madonna pro Brasil, finalizo com sua genialidade:
There’s no greater power then the power of goodbye.
Afinal, que porra é a Perestroika?
Vídeo da festa de final do curso, da terceira turma de Criação I.
Quem já fez o curso de Criação da Perestroika, certamente vai se identificar com esse clima. Quem já se matriculou, pode se preparar para o que vem aí. E quem ainda não conhece a Perestroika, e está considerando os nossos novos cursos, aí vai uma provinha.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Um por cento
Por Beto Baibich*
Há um tempo atrás o Felipe me pediu pra escrever algo pro blog da Perestroika. A minha primeira reação foi achar que eu ia falhar miseravelmente. Faz muitos anos que eu saí do Brasil e o meu português já não é o mesmo. E pra ser sincero, ele nunca foi muito bom. Além disso, sobre o que diabos eu podia escrever? A solução tava de baixo do meu nariz. Se é pra escrever sobre alguma coisa, melhor que seja sobre algo que tenha uma boa chance de continuar sendo uma verdade pra mim por um bom tempo. E que possa ser usado por qualquer pessoa que queira testar o método.
O trabalho em criação - publicitária ou não - tem muito a ver com a personalidade de quem tá bolando seja lá o que tem que ser criado. E existe um aspecto da personalidade de qualquer criador que acaba fazendo uma diferença enorme na qualidade do trabalho que ele é capaz de fazer e o quão longe ele vai poder chegar em qualquer carreira que involva o processo criativo: o jeito que ele encara o fracasso.
É preciso ser meio masoquista pra ser realmente um bom criador. O único jeito de chegar a uma idéia genial é ter outras 2938572938 idéias que vão de completamente estúpidas às que são boas, mas não excepcionais. E a realidade é que 99.999999% de todas as idéias que você tiver têm que morrer. De morte matada, de morte morrida. E
assassinar uma idéia não é fácil. Todos nós temos mecanismos pra tentar nos convencer a salvar uma idéia na beira do abismo. Mas se a idéia chegou na beira do abismo, você tem um só dever: dar o pontapé.
A ironia do processo é que a cada idéia matada vem um sentimento de mini-fracasso. A tendência natural é de aprender com os nossos erros, o que leva a maioria dos criativos a cometer um erro ainda maior: eles aprendem a não errar mais. Desenvolvem cacoetes, exploram terrenos conhecidos. Tudo isso por um sentimento falso de segurança.
A solução pro problema é algo que beira uma forma de insanidade: encarar cada mini-fracasso como um grande sucesso. É colocar quantidade de idéias como a prioridade número um. E depois de ter 100 idéias, matar as 99 (de vez em quando 100) com um sorriso. O truque é sempre se lembrar que idéias ruins nos ajudam a aprender quais são os caminhos que são mais frutíferos, que a gente sempre vai aprender mais das idéias que a gente matou do que das que sobreviveram.
Um dos estagiários mais promissores na agência onde eu trabalho é um cara que passa o tempo inteiro falando as idéias que ele tem, quase sem parar. Praticamente todas são ruins. Mas ele continua mandando ver com um sorriso de orelha a orelha. E vira e mexe ele diz algo interessante, que vale a pena, que começa idéias interessantes. Ele tá com a contratação praticamente garantida. Fracassar mil vezes e se sentir bem a cada idéia que não deu certo é uma fórmula perfeita pra passar o tempo todo se divertindo nessa profissão.
Existe um jeito super simples de começar a encarar criação dessa forma: numere as suas idéias. Todas elas. Não interessa se é uma frase quando você tem que criar um comercial de TV ou se é uma única palavra que lembra algo de interessante. Todas idéias, por menores que forem, merecem seu próprio número. Quando você estiver num brain,
comece com o número 1 e coloque objetivos de quantidade, não qualidade. Toda vez que você tiver quantidade, a qualidade acaba vindo junto. É inevitável.
Normalmente eu tento ter 100 idéias antes de começar a filtrar as que são interessantes e as que vão pro saco. É super importante não se censurar de nenhum jeito antes de chegar a hora de passar todas as idéias pelo filtro. Depois que vocé escolher as 5 a 10 idéias que você gostar, desenvolva elas um pouco mais. Pense em diferentes execuções. Veja se a idéia rende ou se é difícil desdobrar em diferentes mídias. Faça desenhos simples. Se você tiver algum lugar pra fazer isso, cole
tudo na parede. Não há nada como ter uma visão geral da coisa.
E daí o lance é voltar pro caderno e voltar ao brain. As primeiras 100 são as mais difíceis. Então agora dá pra parar pra passar o filtro a cada 50 idéias e repetir o processo de novo e de novo. Poucas campanhas realmente boas vem antes de umas 200 idéias. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que apresentar as suas idéias pro seu diretor de criação. O trabalho dele vai ser muito mais simples. Ele só vai precisar escolher as idéias que realmente têm potencial, e as que chegaram a esse estágio do processo são provavelmente já idéias bem melhores do que se você tivesse tentado achar uma idéia genial quando você começou a trabalhar no projeto. O trabalho é muito mais fácil quando a gente realmente gosta duma idéia. É pura diversão.
Boa sorte.
***
*Beto Baibich é diretor de arte gaúcho e um cara do caralho. Já trabalhou na Fischer America, Dez Propaganda e Escala. Depois de trabalhar um temporada na Taxi, do Canadá, ganhar Leões em Cannes e ser apontado como um dos jovens criativos mais promissores do Canadá, se mudou de mala e cuia para o Colorado. Hoje ele é DA da Crispin Porter + Boguski, uma das agências mais hypadas do mundo.
Se tudo der certo, em breve vai ser mais um Czar da Perestroika. O texto acima não foi tirado de lugar nenhum. É uma contribuição exclusiva do Betinho para o Blog da Perestroika.
Há um tempo atrás o Felipe me pediu pra escrever algo pro blog da Perestroika. A minha primeira reação foi achar que eu ia falhar miseravelmente. Faz muitos anos que eu saí do Brasil e o meu português já não é o mesmo. E pra ser sincero, ele nunca foi muito bom. Além disso, sobre o que diabos eu podia escrever? A solução tava de baixo do meu nariz. Se é pra escrever sobre alguma coisa, melhor que seja sobre algo que tenha uma boa chance de continuar sendo uma verdade pra mim por um bom tempo. E que possa ser usado por qualquer pessoa que queira testar o método.
O trabalho em criação - publicitária ou não - tem muito a ver com a personalidade de quem tá bolando seja lá o que tem que ser criado. E existe um aspecto da personalidade de qualquer criador que acaba fazendo uma diferença enorme na qualidade do trabalho que ele é capaz de fazer e o quão longe ele vai poder chegar em qualquer carreira que involva o processo criativo: o jeito que ele encara o fracasso.
É preciso ser meio masoquista pra ser realmente um bom criador. O único jeito de chegar a uma idéia genial é ter outras 2938572938 idéias que vão de completamente estúpidas às que são boas, mas não excepcionais. E a realidade é que 99.999999% de todas as idéias que você tiver têm que morrer. De morte matada, de morte morrida. E
assassinar uma idéia não é fácil. Todos nós temos mecanismos pra tentar nos convencer a salvar uma idéia na beira do abismo. Mas se a idéia chegou na beira do abismo, você tem um só dever: dar o pontapé.
A ironia do processo é que a cada idéia matada vem um sentimento de mini-fracasso. A tendência natural é de aprender com os nossos erros, o que leva a maioria dos criativos a cometer um erro ainda maior: eles aprendem a não errar mais. Desenvolvem cacoetes, exploram terrenos conhecidos. Tudo isso por um sentimento falso de segurança.
A solução pro problema é algo que beira uma forma de insanidade: encarar cada mini-fracasso como um grande sucesso. É colocar quantidade de idéias como a prioridade número um. E depois de ter 100 idéias, matar as 99 (de vez em quando 100) com um sorriso. O truque é sempre se lembrar que idéias ruins nos ajudam a aprender quais são os caminhos que são mais frutíferos, que a gente sempre vai aprender mais das idéias que a gente matou do que das que sobreviveram.
Um dos estagiários mais promissores na agência onde eu trabalho é um cara que passa o tempo inteiro falando as idéias que ele tem, quase sem parar. Praticamente todas são ruins. Mas ele continua mandando ver com um sorriso de orelha a orelha. E vira e mexe ele diz algo interessante, que vale a pena, que começa idéias interessantes. Ele tá com a contratação praticamente garantida. Fracassar mil vezes e se sentir bem a cada idéia que não deu certo é uma fórmula perfeita pra passar o tempo todo se divertindo nessa profissão.
Existe um jeito super simples de começar a encarar criação dessa forma: numere as suas idéias. Todas elas. Não interessa se é uma frase quando você tem que criar um comercial de TV ou se é uma única palavra que lembra algo de interessante. Todas idéias, por menores que forem, merecem seu próprio número. Quando você estiver num brain,
comece com o número 1 e coloque objetivos de quantidade, não qualidade. Toda vez que você tiver quantidade, a qualidade acaba vindo junto. É inevitável.
Normalmente eu tento ter 100 idéias antes de começar a filtrar as que são interessantes e as que vão pro saco. É super importante não se censurar de nenhum jeito antes de chegar a hora de passar todas as idéias pelo filtro. Depois que vocé escolher as 5 a 10 idéias que você gostar, desenvolva elas um pouco mais. Pense em diferentes execuções. Veja se a idéia rende ou se é difícil desdobrar em diferentes mídias. Faça desenhos simples. Se você tiver algum lugar pra fazer isso, cole
tudo na parede. Não há nada como ter uma visão geral da coisa.
E daí o lance é voltar pro caderno e voltar ao brain. As primeiras 100 são as mais difíceis. Então agora dá pra parar pra passar o filtro a cada 50 idéias e repetir o processo de novo e de novo. Poucas campanhas realmente boas vem antes de umas 200 idéias. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que apresentar as suas idéias pro seu diretor de criação. O trabalho dele vai ser muito mais simples. Ele só vai precisar escolher as idéias que realmente têm potencial, e as que chegaram a esse estágio do processo são provavelmente já idéias bem melhores do que se você tivesse tentado achar uma idéia genial quando você começou a trabalhar no projeto. O trabalho é muito mais fácil quando a gente realmente gosta duma idéia. É pura diversão.
Boa sorte.
***
*Beto Baibich é diretor de arte gaúcho e um cara do caralho. Já trabalhou na Fischer America, Dez Propaganda e Escala. Depois de trabalhar um temporada na Taxi, do Canadá, ganhar Leões em Cannes e ser apontado como um dos jovens criativos mais promissores do Canadá, se mudou de mala e cuia para o Colorado. Hoje ele é DA da Crispin Porter + Boguski, uma das agências mais hypadas do mundo.
Se tudo der certo, em breve vai ser mais um Czar da Perestroika. O texto acima não foi tirado de lugar nenhum. É uma contribuição exclusiva do Betinho para o Blog da Perestroika.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Correria? Correria!
É comum a gente, numa rodinha de publicitários, ouvir o seguinte papo:
- Esse findi eu trabalhei pra caralho.
Ou:
- Essa semana saí todos os dias às três da manhã.
Ou ainda:
- Putz, faz quatro meses que eu trabalho sábado e domingo.
Cada vez mais, eu acho que esse discurso não é por causa da nossa rotina mega-atarefada. O que eu percebi, e essa é a tese que eu defendo, é que nós vemos a fodelança como status.
Isso aí. No nosso meio, se fuder é ser foda.
Você pode até nem concordar comigo. Mas sei lá. Parece que existe uma necessidade da gente mostrar para os outros que se está trabalhando muito.
Não consigo identificar bem a razão.
Talvez, isso signifique que a gente está numa agência grande (afinal, todas as agências grandes são assim).
Ou um sinal de que temos muitas responsabilidades, que somos imprescindíveis no processo.
Ou que nós somos mega-exigentes e, dessa forma, nunca nos damos por satisfeitos saindo na hora (quem garante que o próximo Leão não vai pintar às 3h da madrugada?).
Repare que, nos papos do Salão da Propaganda, o discurso clássico é:
- E aí, como tá lá?
- Correria, e lá?
- Correria, correria.
É ou não é?
***
Parece meio aquela piada da Sharon Stone na ilha deserta. Se você come uma gostosa, e não conta pra ninguém, não tem a menor graça.
Se você vira a noite trabalhando, e não conta para seus colegas, ninguém vai saber que você foi um herói.
Não seria essa uma prova de que vemos a fodelança como status?
Eu, num Salão há uns 2 anos, fiz questão de responder pra todo mundo "Pois é, minha vida tá bem tranqüila, tenho saído no horário". (Tá, não era verdade. Mas eu só queria ver a reação das pessoas.)
E não é que todo mundo me olhava meio estranho? Como se fosse proibido estar bem posicionado no mercado e sair às 19h.
***
Veja como é curioso. Normalmente, as pessoas mentem para mais. Elas exageram na fodelança. Elas realmente fazem questão de dizer que saíram às 4h da matina. Mesmo quando terminaram o job mais cedo.
Outro indício de que minha tese não é tão absurda assim.
***
Mais: se a questão é se exibir, não seria mais lógico o raciocínio inverso?
"Eu trabalho pouco, chego às 11h, saio pra almoçar, só volto às 15h, nunca fico até mais tarde, tô cagando para todo mundo, e ainda assim precisam de mim".
Ninguém se vangloria de ter um carro caindo aos pedaços, ou de ganhar mal, ou de morar num JK alugado.
Ninguém, tirando o Jorge Kajuru, chega para uma mina dizendo "Eu sou ruim de cama, tenho pau pequeno e já fiz troca-troca". (Se você não conhece essa entrevista, clique aqui.)
Ninguém se vende assim. Porque não existe status nisso.
Então, por que insistimos tanto nessa Síndrome de Sofrenildo?
***
Agora, não confunda isso tudo com falta de ralação.
Uma coisa é trabalhar para caralho. Ser um eterno insatisfeito. Ser exigente e não se contentar com o que já fizeram. Não aceitar bem a média.
Outra coisa é ter a necessidade de falar para todo mundo que você trabalha para caralho. É se afirmar em cima disso.
Uma coisa é a realidade do mercado. Que exige bastante e faz a gente virar a noite. Que joga para o acostamento que não agüenta o tranco.
Outra coisa é se exibir. Como se o fato de ficar até tarde fosse um troféu.
***
Eu tô na contramão. Pra mim, ficar até tarde é um saco. Perder o final de semana é um saco. E quanto mais eu lembrar desse sofrimento, pior. Por isso, nem toco no assunto.
Quando eu estimulo os alunos a ralarem, é porque eu tenho certeza que a quantidade faz a qualidade. Agora, eu procuro na medida do possível (evidente que nem sempre isso é possível) não ficar me exibindo de algo que, pra mim, não tem valor nenhum.
E ainda assim, às vezes, eu me pego dizendo "Nunca almoço, passo o horário do meio dia resolvendo coisas da Perestroika, hoje eu tenho dois expedientes, a reunião de ontem terminou de madrugada, blá, blá, blá".
***
Sinceramente, espero que esse post sirva para recrutar pessoas que também pensam como eu. Não existe nenhum problema em trabalhar bastante, nem em ser exigente. O bizarro é ver alguma vantagem nisso.
É ou não é, Kajuru?
- Esse findi eu trabalhei pra caralho.
Ou:
- Essa semana saí todos os dias às três da manhã.
Ou ainda:
- Putz, faz quatro meses que eu trabalho sábado e domingo.
Cada vez mais, eu acho que esse discurso não é por causa da nossa rotina mega-atarefada. O que eu percebi, e essa é a tese que eu defendo, é que nós vemos a fodelança como status.
Isso aí. No nosso meio, se fuder é ser foda.
Você pode até nem concordar comigo. Mas sei lá. Parece que existe uma necessidade da gente mostrar para os outros que se está trabalhando muito.
Não consigo identificar bem a razão.
Talvez, isso signifique que a gente está numa agência grande (afinal, todas as agências grandes são assim).
Ou um sinal de que temos muitas responsabilidades, que somos imprescindíveis no processo.
Ou que nós somos mega-exigentes e, dessa forma, nunca nos damos por satisfeitos saindo na hora (quem garante que o próximo Leão não vai pintar às 3h da madrugada?).
Repare que, nos papos do Salão da Propaganda, o discurso clássico é:
- E aí, como tá lá?
- Correria, e lá?
- Correria, correria.
É ou não é?
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Parece meio aquela piada da Sharon Stone na ilha deserta. Se você come uma gostosa, e não conta pra ninguém, não tem a menor graça.
Se você vira a noite trabalhando, e não conta para seus colegas, ninguém vai saber que você foi um herói.
Não seria essa uma prova de que vemos a fodelança como status?
Eu, num Salão há uns 2 anos, fiz questão de responder pra todo mundo "Pois é, minha vida tá bem tranqüila, tenho saído no horário". (Tá, não era verdade. Mas eu só queria ver a reação das pessoas.)
E não é que todo mundo me olhava meio estranho? Como se fosse proibido estar bem posicionado no mercado e sair às 19h.
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Veja como é curioso. Normalmente, as pessoas mentem para mais. Elas exageram na fodelança. Elas realmente fazem questão de dizer que saíram às 4h da matina. Mesmo quando terminaram o job mais cedo.
Outro indício de que minha tese não é tão absurda assim.
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Mais: se a questão é se exibir, não seria mais lógico o raciocínio inverso?
"Eu trabalho pouco, chego às 11h, saio pra almoçar, só volto às 15h, nunca fico até mais tarde, tô cagando para todo mundo, e ainda assim precisam de mim".
Ninguém se vangloria de ter um carro caindo aos pedaços, ou de ganhar mal, ou de morar num JK alugado.
Ninguém, tirando o Jorge Kajuru, chega para uma mina dizendo "Eu sou ruim de cama, tenho pau pequeno e já fiz troca-troca". (Se você não conhece essa entrevista, clique aqui.)
Ninguém se vende assim. Porque não existe status nisso.
Então, por que insistimos tanto nessa Síndrome de Sofrenildo?
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Agora, não confunda isso tudo com falta de ralação.
Uma coisa é trabalhar para caralho. Ser um eterno insatisfeito. Ser exigente e não se contentar com o que já fizeram. Não aceitar bem a média.
Outra coisa é ter a necessidade de falar para todo mundo que você trabalha para caralho. É se afirmar em cima disso.
Uma coisa é a realidade do mercado. Que exige bastante e faz a gente virar a noite. Que joga para o acostamento que não agüenta o tranco.
Outra coisa é se exibir. Como se o fato de ficar até tarde fosse um troféu.
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Eu tô na contramão. Pra mim, ficar até tarde é um saco. Perder o final de semana é um saco. E quanto mais eu lembrar desse sofrimento, pior. Por isso, nem toco no assunto.
Quando eu estimulo os alunos a ralarem, é porque eu tenho certeza que a quantidade faz a qualidade. Agora, eu procuro na medida do possível (evidente que nem sempre isso é possível) não ficar me exibindo de algo que, pra mim, não tem valor nenhum.
E ainda assim, às vezes, eu me pego dizendo "Nunca almoço, passo o horário do meio dia resolvendo coisas da Perestroika, hoje eu tenho dois expedientes, a reunião de ontem terminou de madrugada, blá, blá, blá".
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Sinceramente, espero que esse post sirva para recrutar pessoas que também pensam como eu. Não existe nenhum problema em trabalhar bastante, nem em ser exigente. O bizarro é ver alguma vantagem nisso.
É ou não é, Kajuru?
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