Blog da Perestroika

domingo, 25 de maio de 2008

Diamantes.

Nesse final de semana, eu e o Rafa tivemos o privilégio de filmar novamente com o Bernardinho. Ele é um cara fantástico no set. Não reclama, não tem nenhum estrelismo e topa todas as bizarrices que a gente inventa. E ainda é puro alto astral, tá sempre fazendo piada e divertindo a galera da produção.

Mas dessa vez, eu tive um privilégio maior que nas edições anteriores. Em determinado momento da filmagem, quando estavam rodando uma cena só com o Giba, ficamos batendo um papo in off. Sem câmeras, sem microfones, sem responsabilidades.

Seria até presunção dizer que foi uma conversa. Porque durante aqueles 20 minutos, eu praticamente não falei. Não valia a pena investir aqueles poucos minutos ouvindo a minha própria voz.

Vale lembrar: o Bernardinho cobra muito caro pelas palestras que dá.

Falamos principalmente de esporte. Eu adoro esporte, e parecia que eu estava lendo um almanaque. Ele sabia datas, placares, nomes, tudo de cor. Detalhes que fariam inveja ao PVC. Impressionante.

No meio disso tudo, ele explicou qual é a principal diferença entre um grande jogador e um campeão. Usando outras palavras, ele disse que "o grande jogador é aquele que praticamente não erra. E o campeão é o que não erra quando não pode errar."

Tá, eu sei que esse não é um ponto de vista muito novo. Muita gente fala isso e não é de hoje. Mas sei lá: ouvir essas palavas do cara que montou o time mais vitorioso da história do esporte, em todos esportes, em todos os tempos, foi diferente.

Peguemos como exemplo o Michael Jordan.

Sempre que tinha jogo decisivo, a história era sempre a mesma. Faltavam poucos segundos. O técnico adversário sabia que a bola ia para o Jordan. O time adversário sabia que a bola ia para o Jordan. A torcida, o comentarista, o mundo inteiro sabia que a bola ia para o Jordan.

E bola ia para o Jordan. Mas parecia impossível marcá-lo. Na pressão, ele não arrepiava.



Acho que esse conceito se aplica um pouco ao nosso negócio.

Os grandes profissionais com quem convivi foram justamente aqueles que, na hora do aperto, tiraram leite de pedra. Quando alguém virava e dizia "ou a gente acerta nessa campanha, ou vamos perder a conta". E o cara ia lá, e fazia o melhor anúncio da vida dele.

Ou quando dava um problema num comercial, que mudava o roteiro depois de filmado. E a dupla era obrigada a fazer um remendo, com as cenas já captadas, deixando tão bom quanto a versão original.

Ou naquelas vezes que tá tudo pronto, montado, e alguém descobre que a concorrência vai lançar uma campanha igual. Daí é virar a noite e produzir algo tão bom quanto o que acabou de ser feito, mas em tempo recorde.

***

Existe um ditado que eu amo, que é: diamantes nascem sob pressão.

Sempre que eu vejo os vencedores de um festival - principalmente aqui no Salão da Propaganda, que é onde eu tenho mais contato e mais histórico das peças - faço a minha própria avaliação.

Cada vez mais eu valorizo aqueles trabalhos de verdade, para produtos de verdade. Que dá para ver o briefing sendo resolvido. O problema que o cliente tinha e a solução que foi encontrada. É aí que estão os diamantes.

Só nessas condições, só um trabalho que vai para a rua MESMO é que me impressiona. Porque só assim a idéia é colocada a prova por um diretor de criação que está pensando seriamente sobre o assunto. Que tem um cliente avaliando de forma séria o que vai ao ar. E que é julgado pelo consumidor, o verdadeiro júri das nossas idéias.

Criar para o mercado publicitário, ou para filantropia, ou fazer fantasmas, ou até esses clientes que não remuneram a agência e topam qualquer barbaridade, é como jogar um amistoso.

Eu já criei, e vez por outra continuo criando para esse segmento. Não sou a favor do fim desse tipo propaganda. Por favor! Adoro criar as campanhas do Salão da Propaganda, ou os anúncios de fornecedores que vez por outra caem na nossa mesa.

Agora, lá no fundinho, eu sei que existe uma grande diferença entre isso e o anúncio produto-e-preço da STIHL que volta e meia entra na nossa pauta.

Então, toda vez que pintar um job casca grossa para você, não veja como uma engronha. Veja como um teste. Um teste para saber se você já está preparado para desafios maiores. Um teste para saber se você já pode assumir grandes responsabilidades. Se você já se transformou em diamante, ou se ainda é carvão.

E se o prazo for curto, lembre-se do Michael Jordan. Ele normalmente tinha que se virar só com alguns segundos.

4 comentários:

Solon disse...

lembra desse comercial da Nike?

http://www.youtube.com/watch?v=45mMioJ5szc

Anônimo disse...

Arrãm, enquanto escrevia, lembrei desse filme. Até revi antes de postar no blog.

Nem os melhores do mundo acertam sempre. Mas daí, é uma discussão para um outro post.

tg

Fabricio K disse...

Matou a pau.

cacogol disse...

afude