Blog da Perestroika

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O cavalo encilhado está passando.

Por Marco Loco Bezerra*

Existe uma teoria, hoje em dia, que diz que a propaganda está mudando. Todo mundo fala disso. Sinceramente, só comecei a pensar mais sobre o assunto quando ingressei na TBWA. Esse é o discurso padrão aqui. Influenciados pelo cabeção e guru da rede Lee Claw, todos os escritórios buscam arduamente alternativas para as mídias tradicionais: TV e Print. Na TBWA essa terceira via é chamada Mídia Arts.

Tudo é mídia. Um guardanapo é mídia, um copo de plástico é mídia, um cavalo morto a beira da estrada é mídia, uma bunda de uma guria gata pode ser um billboard maravilhoso. Enfim, qualquer oportunidade de conversar com o público vira uma alternativa ao anúncio. Pode parecer óbvio, o que realmente é, mas no Brasil isso é pouco lembrado. Essa é a primeira parte da teoria sobre as mudanças nos formatos convencionais. A teoria do diálogo.

Voltando para a TBWA, vale lembrar que o grupo beneficia-se de outro dado importante sobre a mudança de comportamento do consumidor. Hoje propaganda é cada vez menos unilateral. A forma de comunicar-se com o público é mais dinâmica. A coisa fica muito mais próxima de um diálogo. A marca fala través de qualquer mídia e o cliente responde.

Hoje, se o cara não gosta do que você comunica ele retruca. Pode ser num blog na internet, num cartaz ou em uma música disponível na rede. Como falei, a resposta é rápida.

Escrevi esses três parágrafos iniciais para introduzir o assunto que eu realmente gostaria de falar. O tema desse texto é um pouco polêmico. Assim guarde as informações acima, pois quando chegar a hora, vou voltar a martelar nelas.

Eu queria falar um pouco sobre propaganda gaúcha. Não sei se algum dos seus professores já falou da MPM. Não essa atual MPM cujo dono é o Nizan. Eu estou referindo-me a uma mais antiga que essa. Se os guris não falaram não tem galho, essa agência é uma lenda até mesmo para nossa geração. Ela é como aquelas histórias sobre Atlântida.

Atlântida era uma nação super-desenvolvida, tecnologicamente e socialmente, mas acabou por desaparecer em um cataclismo. Um dilúvio afundou a ilha e escondeu seus vestígios por toda eternidade. O que ficou para a posteridade é uma tradição oral ou fragmentos de poemas de filósofos gregos. Isso se Atlântida realmente existiu.

A MPM, para nossa sorte, foi melhor documentada. Ela era a maior agência do Brasil, em sua época. E, segundo a tradição oral que chegou até mim, também uma das mais criativas do mundo. O mais legal é que essa poderosa força tinha seu “head quarter” aqui no nosso rincão: Porto Alegre. Além de ter sido fundada por 3 gaúchos: Mafuz, Petrônio e Macedo. É dessa escola que derivam muitas das agências atuais e a maioria dos profissionais mais antigos. Só para constar, entre esses ilustres ex-MPM está Luis Fernando Veríssimo.

Se você quer saber um pouco mais leia aqui no link:

http://www.meioemensagem.com.br/fatosmarcantes30anos/fato_interno.jsp?ID=143

Ou baixe o PDF:

http://www6.ufrgs.br/emquestao/pdf_2004_v10_n2/EmQuestaoV10_N2_2004_est01.pdf

Isso só prova que, essa história de agências boa só em São Paulo, é algo relativamente novo. Hoje, em um mundo globalizado e tecnológico, cada vez menos necessitamos da presença física. Reuniões de todos os tipos podem ser conduzidas facilmente a distância. Sinceramente vejo, a necessidade de nos aglomerarmos em São Paulo, como algo ultrapassado. Então por que tudo lá? Não sei.

A verdade é que a diferença, entre trabalhar em uma agência grande em São Paulo e uma grande em Porto Alegre, é muito grande. As condições são muito mais favoráveis. Os caras tem mais estrutura, mais grana e assim, acabam ficando com a melhor produção também. Se formos ainda mais críticos, concordaremos que o resultado criativo também é superior. Parece que no Rio Grande do Sul e no resto do Brasil, perdemos algo. O que é? Não sei também. Em todo caso, arrisco-me a dizer que o dinheiro (ou a falta dele) é apenas parte do problema. Não justifica completamente esse distanciamento.

Agora sim, posso desenvolver mais a idéia que queria apresentar nos primeiros parágrafos.

Eu vejo essa mudança na propaganda mundial como uma oportunidade para recolocarmos-nos em uma posição de destaque no cenário Brasileiro. Não estou falando de grana. Acho que ela vem em conseqüência do bom trabalho. Eu falo de fazer coisa boa. De ,consequentemente, ganhar prêmios e visibilidade.

Como já falei anteriormente, a grana justifica a produção melhor em print e, principalmente, em filme. O grande lance é que, no mundo, essas mídias perdem cada vez mais força. Sendo repetitivo, a idéia não fica mais presa a uma plataforma de revista, jornal ou TV. Os filmes virais, em sua maioria, são caracterizados por uma produção de menor custo. As ações de mídia exterior não necessitam de um fotógrafo caríssimo ou de uma produção caprichada. As coisas podem ser um pouco mais homemade. Claro que, com dinheiro, tudo fica muito melhor. Em todo caso, isso não é mais fundamental. O custo de execução mínimo para essas novas mídias é bem menor.

Penso muito sobre isso. No anuário passado, uma agência do Ceará levou uma seqüência de ouros com trabalhos para uma empresa de ônibus. E não eram idéias de mídia convencionais. Esse tipo de ação parece ser a falha na Matrix para os festivais internacionais e o anuário. É para esse conceito que os olhos dos grandes criativos se voltam hoje. Na minha opinião, é nesse ponto que os gaúchos deveriam investir mais fósforo.

Para finalizar, vou apenas comentar que esse texto não trata de um assunto futuro. Essas mudanças estão ocorrendo embaixo de nossos narizes. Como estou longe e pouco posso fazer para ajudar mando aqui minha contribuição. É apenas uma pequena dica, de um colega que, ainda sonha fazer o que ele mais gosta, em sua terra natal.

***

*Marco Loco Bezerra é diretor de arte da TBWA, Berlim e um cara do caralho. Se tudo der certo, em breve vai ser mais um Czar da Perestroika na Europa. O texto acima não foi tirado de lugar nenhum. É uma contribuição exclusiva do Marco para o Blog da Perestroika.

6 comentários:

Anônimo disse...

Muito legal e oportuno o teu post marco.
Abração rafa

Anônimo disse...

puta privilégio.

Anônimo disse...

puta privilégio.

! \< & disse...

Mas bah, que loco esse Loco, né loco?!

Aufviedersehen!

Skell disse...

issaí não teeem explicação né loco?!

Felipe Franco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.