Blog da Perestroika

terça-feira, 13 de maio de 2008

MACONHA

Não sei se vocês andaram acompanhando as discussões sobre a proibição da Marcha da Maconha. Pelo o que eu entendi, foi proibido em quase todas as cidades. O que tem amparo legal, pois fazer apologia ao crime e ao consumo drogas é crime. Então uma marcha que vai juntar um monte de gente querendo conversar sobre maconha. Provavelmente, maconheiros, porque quem é que ia querer conversar sobre maconha e pedir sua legalização? Ninguém quer uma marcha de maconheiros.

Mas é estranho, né? Tipo, de uma certa maneira, os caras estão pedindo para conversar sobre o assunto. Não é um convite para subir no morro e fumar um. Um monte de gente que comete um crime, querendo conversar para ver se é crime isso mesmo, fumar maconha. Se de repente eles não poderiam deixar de estar cometendo um crime, sem deixar de fumar maconha.

É apologia isso? Só de tocar no assunto já é apologia? Pergunto sério mesmo.

Logo que a maconha foi criminalizada nos Estados Unidos, algum momento entre a década de 20 e 30, o governo americano limitou a produção de maconha, que era cultivada em todo o país, a quem recebesse um selo especial, de "autorizado pelo governo".

Só que o governo não deu um selo pra ninguém. Assim seja, qualquer plantação e posse passou a ser ilegal, criando uma classe novo de criminosos quase que da noite para o dia.

Daí, algumas pessoas que tinham achado que toda a função em volta da criminalização tava meio histérica demais - políticos inclusive, como o Prefeito de Nova York chamado La Guardia - que tinham uma posição antiproibicionismo, queriam fazer experiências para estudar os efeitos da maconha no ser humano. Só que a posse de maconha era crime, até mesmo a posse para fazer experiências científicas.

É mais ou menos uma situação parecida, né?

O que afinal de contas é crime, apologia ou uma simples conversa?
Esse texto é apologia? O que vocês acham?

18 comentários:

Anônimo disse...

Eu até tinha uma opinião, mas acabei de fumar um e esqueci.

Anônimo disse...

Tá, agora eu vou falar sério: eu acho que uma marcha em favor da descriminalização é apologia. (Não significa que eu seja contra a discussão, nem contra a legalização.)

Mas dentro de umas, é mais ou menos como uma marcha que prega a Supremacia Branca.

Ou uma marcha que prega o genocídio aos judeus.

Porque um monte de neonazistas pode decidir que quer fazer uma marcha só pra "discutir o assunto".

Não?

É complicado, é complicado.

Marco Bezerra disse...

A marcha é ilegal perante a lei. Mas não quer dizer que seja fora de propósito. Como uma nação pode mudar uma posição ilegal e errada se não pode discutir? Acho extremista. Não está se discutindo uma política de extermínio ou de xenofobia. Oq se procura é uma solução de saúde pública. Ninguém está mandando fumar maconha. Isso é incoerente e mentiroso.

Até porque o objetivo da marcha é uma política de redução de danos. Algo que já demonstrou resultados positivos em muitos países.

Se acham que só vai ter maconheiro e preguiçoso, manda a polícia ir lá e prender todos que acenderem um baseado. Errado é proibir a sociedade de se manifestar.

A marcha não incentiva o uso. Procura apenas uma solução para o problema do narcotráfico. Ou a política proibicionista tem dado bons resultados?

Solon disse...

ANÔNIMO: de um ponto de vista moral, sim, é a mesma coisa que uma marcha que prega a supremacia branca ou o genocídio aos judeus.

já do ponto de vista legal, no Brasil, não exatamente. aqui, uma marcha pela supremacia branca ou o genocídio aos judeus seria considerada efetivamente racismo, e não apologia ao racismo.

apologia ao racismo eu cometeria ao dizer "racistas deviam ter o direito de expressar sua opinião e fazer passeatas em favor da supremacia branca". o que, de fato, eu digo.

para mim, o importante de se perguntar, em se tratando de "apologia ao crime" é o seguinte: vale a pena corrermos o risco de essa lei ser usada para censurar discussões perfeitamente válidas (como legalização de drogas, aborto e tantas outras coisas que hoje são crimes - lembrem-se de todas as coisas que já foram crime em outros momentos), em troca de uma suposta proteção da sociedade em relação a "idéias subversivas e criminosas"?

isto é, acho que a discussão está no patamar errado. não devemos ficar nos atendo aos detalhes do que é ou não apologia, mas sim discutir se tal lei e seus resultados é adequada ou não.

só que nem essa discussão pode ser feita, porque defender o fim da criminalização da "apologia ao crime" é, em si só, uma apologia ao crime.

Skell disse...

Já que proibiram os maconheiros e simpatizantes de se manifestar pra tentar abrir um diálogo com as autoridades, acho que é hora de arrumarem uma maneira mais original pra "spread the wooooord".

Marco Bezerra disse...

Solon muito bem argumentado. Concordo. Parabéns.

Rech disse...

A passeata não seria uma apologia à discussão ao invés de ao uso?

Anônimo disse...

"isto é, acho que a discussão está no patamar errado. não devemos ficar nos atendo aos detalhes do que é ou não apologia, mas sim discutir se tal lei e seus
resultados é adequada ou não."

perfeito.

mcallage disse...

caralho, eu li o texto, pensei em escrever. dai tinha o marco e o solon.

me calei. disseram tudo. clap. clap.

fiz apopolia ao texto deles?

m.

bruno disse...

acho que não é apologia, senão qualquer debate sobre maconha na televisão também seria considerado. como disseram, a intenção era discutir sobre a discriminilização e também tentar mostrar ao povo os benefícios da erva, e que não é uma droga destruidora como o crack como muuuitos pensam. o interesse do governo em poibir vai muito além dos danos causados, até porque se fosse só por isso a cerveja também estaria proibida. creio que até a indústria do petróleo ttem um dedo nisso, pelo óleo da semente de canhamo ser um forte concorrente em termos de combustível. pra finalizar, acho que o brasil sempre tenta pegar um "atalho" e proibir de um vez ao invés de estudar todo o processo, como no caso do governo em proibir as raves para acabar com as drogas. se é por isso vamos fechar as escolas e micaretas, grandes pontos de circulação de drogas e álcool.

PS: com relação a discriminilização e proibição, assistam ao documentário Grass, que fala sobre todo esse processo, abraço!

aline disse...

Mas fazer uma "Marcha da Maconha" também é muito forte. Se o governo aceitasse um movimento com essa caracterização estaria, sim, abrindo precedentes para que houvesse a marcha anti-semita ou neo-nazista. Provavelmente se fosse um fórum formado para a dicussão dos usos da maconha e seus danos a saúde, com a iniciativa de mostrar a validade, ou não, da legalização da droga estaria dentro da lei. É muito forte marchar a favor de alguma coisa, funciona como um incentivo ao uso, a apologia.

Rech disse...

Mas a marcha não era em favor do uso.
Era em favor da discussão.

aline disse...

Pois é, mas pra quem só ouviu, e não leu sobre o assunto não foi o que passou. Ouvi vários comentários do tipo "uma bando de maconheiro se juntando pra fumar"...

Marco Bezerra disse...

Mas as autoridas tem responsabilidade de se informar antes de proibir. Entendo que a opinião pública é muito volátil e muitas vezes influencia a decisão governamental.

Em uma sociedade conservadora como a nossa, acho um tanto perigoso um mecanismo que aponte o que podemos reinvindicar ou não. O exemplo americano da primeira emenda deveria ser seguido por aqui. Existem consequência sim. Como uma possível marcha nazista, por exemplo. Mas imagine quão forte seria a resposta da sociedade a uma marcha anti-semita? A própria população coibiria.

E não adianta dizer que os USA é um país desenvolvido e por isso pode ter tamanha liberdade. A primeira emenda foi implementada em uma época em que não eram só flores por lá. Essa é uma desculpa muito usada por futuros tiranos.

Primeira Emenda:

"O congresso não deve fazer leis a respeito de se estabelecer uma religião, ou proibir o livre exercício das mesmas; ou diminuir a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou sobre o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas reparações por ofensas."

Rech disse...

Quem lembra do caso Planet Hemp vai conseguir visualizar quem anda sabotando esse tipo de manifestação.

É claro que as músicas dos caras nem entram em pauta. Não vem ao caso discutir se eles fazem ou não apologia.
O fato é que viram ali uma situação que tem forte apelo popular, e resolveram transformar D2, B Negão e o resto da banda em párias.

O engraçado é que o próprio D2, praticamente escurraçado pela Globo na época, agora paga de bom moço no Faustão.

E quem vai dizer que o cara tá errado?
As notícias que criaram ele foram as mesmas que possibilitaram que ele desse a volta por cima.

É muito fácil mudar a opinião de muita gente com algumas manchetes.
Possivelmente esse reacionismo todo não tivesse acontecido se os jornais não se apropriassem da história como meio pra dar audiência.

Outro caso, bem distante em natureza, mas semelhante em mecanismo: o da tal da Isabela.
Prenderam os pais da criança por simples pressão pública.

Anônimo disse...

"Mas a marcha não era em favor do uso.
Era em favor da discussão."

Discussão sobre... = Apologia

Ou tu acha que os engomadinhos que não querem a legalização, vão estar lá protestando pelo direito de dizer que não? Ridículo...

Anônimo disse...

ãaaaaaahhhnnnnnnnnnnnn

Anônimo disse...

que viajem esse post!