Blog da Perestroika

sábado, 29 de setembro de 2007

Philippe "Star"

Tenho que tirar o chapéu pra esse Philippe Starck. Já tinha ouvido falar, tinha visto algumas coisas, mas agora que sou cobaia de uma experiência do cara, tenho que reconhecer: ele tem MUITO a manha.

Ao menos o Hudson Hotel em Nova York é animal. Foge radicalmente dos padrões americanos de Holiday Inn, Shareton, Marriott e outros do gênero e é um sucesso, de crítica e público. Está no guia de NY da Wallpaper e, ao mesmo tempo, vive com o quartos e bar lotados.

O quarto é legal. Poderia ser maiorzinho e ter mais coisas, e não seria dizer que é luxo, afinal até o Dunas Praia Hotel em Torres tem frigobar no quarto e vidro, ao invés de cortina, no box do banheiro. Mas, ACHO, a proposta é essa mesmo. Reduzir ao máximo os custos em volume e oferecer um hotel botique low cost distante uma quadra do Central Park.

O Hudson foi o primeiro hotel que reservei quando ainda achava a diária salgada (319 dólares + taxas). Mas depois de procurar exaustivamente (tentei de verdade), não consegui achar outro hotel BEM LOCALIZADO, e com um astral mínimo, por menos. Resultado: fui obrigado a ficar aqui. Ainda bem.

Buenas, seguindo: acho que a proposta foi construir um hotel acessível e que, para compensar a falta de regalias no quarto, desse um show na área comum e estimulasse os hóspedes a ficar mais tempo fora do que dentro da sua habitação. A máquina de gelo no andar, por exemplo, fica num barzinho. Ali os hóspedes já podem começar a conviver caso assim queiram.

Mas é no lobby que está o espetáculo. A pessoa entra no hotel e dá numa escada rolante que, ao subir, já entende que está num lugar diferente. E é verdade. O cara chega na recepção e tem a sensação de que o mundo deveria ter mais disso. Faz bem para os olhos. E como.





Encantado com o que já viu, o cara acaba conhecendo as 4 áreas projetadas pra ele ficar jogado e já fazer do hotel um programa animal em NY. A "biblioteca" é impressionante (é um bar/cafeteria/lounge/seilá). Decorada com livros (claro), tem jogo de xadrex, livros, computador, sofás pra vc passar a tarde (e noite) toda ali bebendo alguma coisa e curtindo o que quiser. Tem uma mesa de sinuca de feltro roxo, linda, e móveis clássicos com contrapontos incríveis, sendo o mais animal, fotos grandes em P&B de vacas de chapéu.








O jardim é impressioante também. No meio de Manhattan e seus edifícios gigantes, existe um lugar cheio de verde, um oásis mesmo, pra ficar jogado, com sofás, mesinhas, wireless, tapetes, vasos e regadores gigantes, etc, etc, etc. As atendentes usam um vestidinho hipersensual com biquini por baixo num clima totalmente informal. De noite fica beeeeeem cheio e os grupos ficam cada um no seu canto. A iluminação do lugar? Só com velas.





O bar bomba na noite. Todo moderno, chão iluminado com luz amarela meio fluorecente (como a que se vê da fachada), é sensação na cidade. Tanto que entre 5a e domingo só hóspede pode acessá-lo, do contrário, não haveria lugar para todos. Não me deixaram tirar fotos, mas no site do hotel dá pra ver: hudsonhotel.com. Vale a pena.

E tem o restaurante. Que é o mais palhinha de todos por causa da comparação, mas é bala também. Oferece lugar pra sentar no jardim bacana que descrevi há pouco e a cozinha fica bem no meio do salão. No site tem fotos melhores que as minhas, portanto, é só acessar.

Pois tenho certeza que o Philippe valeu cada centavo investido. Se pagou fácil. Os proprietários sabem que tem um produto realmente diferenciado. É mais do que vaidade. Vai muito mais longe do que dizer que tem um hotel charmoso. É negócio. Gera venda de camisetas, CD do hotel, pantufa e outras milhares de coisas.

Mais uma vez chego a conclusão que não havaria campanha que formasse mais conceito. Um hotel normal com uma campanha genial, anúncios dignos de Archive e tal (claro que dá, e se deve, ter os dois) levam o cara até o hotel. Mas o que vai fazer ele voltar é o produto, que quando é resultado de uma grande idéia, torna-se imbatível, traz lucro para todos. Até pra quem paga que fica louco pra voltar.

(O site do cara: philippe-starck.com)

Um comentário:

Gabriel Marodin disse...

bem legal teu blog marcio....

abc brother