Blog da Perestroika

sábado, 20 de outubro de 2007

Eu adoro volante bandido.

Uma das coisas que eu mais gosto na Perestroika é, como diz o Felipe, quebrar a matrix da turma. Porque no primeiro dia, a gente olha lá de cima e fica imaginando quem vocês são. Mesmo com os questionários, mesmo com aqueles cinco minutos de bate-papo na recepção da DCS, fica impossível tirar qualquer conclusão sem cair em preconceitos e estereótipos.

Com o passar das semanas, cada um vai se revelando. E é aí que a coisa fica bacana. O Lucas deixa de ser o filho da Helena. O Panichi deixa de ser o pinta que imita o Silvio Santos. Cada um se tranforma num cara diferente daquele neguinho do primeiro dia de aula. E invariavelmente essa nova pessoa é muito mais legal.

É nessa hora que a gente vê quem vocês realmente são.

O mercado publicitário nos induz a seguir um modelo que nem sempre combina com a gente. Temos que comprar na Mulher do Padre. Temos que cortar o cabelo no Sexton. Temos que andar de All-Star e Ipod. Ou não, mas daí vão olhar você dos pés à cabeça com um ar de reprovação. Justo o mundo da publicidade, que se diz tão mente aberta.

Não há nada de errado em gostar da AMP ou de All-Star. O errado é ser engolido por esse universo. Não é fácil ser pagodeiro num meio onde todo mundo gosta de música eletrônica. Não é fácil ser mauricinho quando todo mundo é hype. E se você é pagodeiro ou mauricinho, tenho certeza que vai concordar comigo.

O mais importante é ser autêntico. Porque você só consegue dizer coisas verdadeiras - seja na propaganda, seja na vida - se você for verdadeiro. Quando a gente vive um personagem o tempo todo, e só deixa o papel quando deita na cama, alguma coisa está errada.

Se o seu negócio é pagodão, desses bem bagaceiros, não tenha medo de assumir. Até porque, uma hora ou outra, isso vai ser uma puta vantagem competitiva para você. Já pensou, quando tiver que criar um jingle chicletão para a Eldorado? Tenho certeza que vai tirar de letra.

Seja autêntico. Os caras mais fodas que eu conheço são assim. E só são fodas porque são assim.

Eu adoro volante bandido, jogar poker, Jack Black, cafuné, almoçar sozinho, feijão com farinha, camisa de botão, humor negro, filmes de máfia, dar aula na Perestroika, minha mulher, a sobremesa do Constantino, as piadas do meu vô, Diogo Mainardi, conversar com estrangeiros, Buenos Aires, fazer churrasco ouvindo Sala de Domingo. Eu odeio dirigir, tirar fotos, casamentos, fazer a barba, trabalhar no final de semana, livros com mais de 100 páginas, frutas, verduras, inverno, morar longe dos meus pais, Cinema Novo, gente que dança no meio da rodinha, Faustão e luau com violão. E tudo isso, certo ou errado, eu tento colocar nos meus títulos e roteiros da maneira mais verdadeira possível. Porque essa conjunção de fatores, essa visão de mundo, é um privilégio só meu. Se eu conseguir tranformar isso numa coisa interessante, será impossível copiar.

Nesse sentido, um aluno conquistou meu respeito e admiração. Um cara que é bem resolvido, que não se intimidou nem pelos alunos, nem pelos professores. Que lida com as brincadeiras com bom humor, sem nunca esquentar a cabeça. E que, mesmo com todas as provocações, nunca foi capaz de nos xingar com um único palavrão.

14 comentários:

M. Morem disse...

Ótimo texto.

Guile disse...

mutcho bom

Rafael disse...

cara é isso aí.

Bruno disse...

muito bom mesmo. essa coisa de estereótipos sempre me incomodou (acho que disse isso inclusive naquele questionário), porque é limitador. mas é interessante tentar classificar "tipos de pessoas" pra prever comportamentos.

Anônimo disse...

duca!
continue tu.
abrs, m.

lucas disse...

Fiquei até sem palavras.
Esse texto tá do caraaaalho!

Marcelo Jung disse...

Belo texto.
É isso ai: Be Yourself.

Anônimo disse...

Coisa boa numa segunda ler um texto desses. Inspirador. Parabéns.

Abrass.
Ferrari

rodrigo pinto disse...

Meu, a pior coisa do mundo é almoçar sozinho! É muito "Elesbão não tem amigos..." Quando for assim, me convida.

Anônimo disse...

rodrigo pinto prestigiando nosso blog! que honra!!!! ok, ok, quando tu vier aqui de novo, faço questão de te convidar para um almoço. (para quem não sabe, rodrigo pinto é redator da loducca, tem dois leões em Cannes e foi meu diretor de criação na Paim. esse cara é que me transformou num redator de verdade. sou fã incondicional do cara e já cansei de assumir isso, mesmo que ele ache que é da boca pra fora.)

leticia disse...

Eu amo coisas bregas, pronto. Falei!

Novela, eu acompanho. Mexicanas então, quando assisto, ganho meu dia! Calypso, eu danço. Fora as músicas do Enrique Iglesias e os musicais mais cafonas do mundo!

O ser humano é mais verdadeiro quando não tem medo de passar por ridículo.

Felipe Sério disse...

a grande pergunta que fica, letícia, é a seguinte: quando tu dança Calypso, é no meio da rodinha?

M. Morem disse...

eu tb acho que almoçar sozinho é uma das piores coisas do mundo, assim como meia molhada dentro do tênis. mas não quis abrir a público e me reti ao simples "Ótimo texto", mas já que o fizeram..é Tiago...Elesbão...

leticia disse...

meio da rodinha felipe?

que isso! eu danço no meio da galera, hahahahahaha...

tô brincando... pra fazer auelas quebras de cabelo, tem que ter muuuuuito espaço...

de preferência com ninguém por perto pra testemunhar!